

Sem Lula e Flávio, debate da Band perde alcance, mas mantém função eleitoral
Especialistas avaliam que a eventual ausência dos dois candidatos reduz a relevância do confronto, mas preserva o espaço para propostas e críticas entre os demais concorrentes. Lula decidiu não participar do primeiro debate na Band, enquanto Flávio Bolsonaro condicionou sua presença à participação do presidente.
O debate presidencial da Band pode ocorrer sem Lula e Flávio Bolsonaro, que concentram a disputa eleitoral segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil. A tendência é que os dois participem apenas do último debate, organizado pela TV Globo em 1º de outubro.
A campanha de Lula decidiu que ele não estará no primeiro encontro, alegando falta de igualdade de condições para que o presidente responda aos ataques dos adversários. Flávio Bolsonaro afirmou que só comparecerá se Lula também participar. Ronaldo Caiado e Augusto Cury têm presença garantida por atenderem aos critérios da legislação eleitoral; Romeu Zema e Renan Santos foram convidados pela Band apesar de não se enquadrarem nesses requisitos.
Para Graziella Testa, professora de Ciência Política da UFPR, a ausência dos dois diminui a função do debate de informar o eleitor e gerar compromissos. Cila Schulman, do Idea Instituto de Pesquisa, afirma que o evento pode ficar “esvaziado”, embora a situação abra espaço para candidatos com menos de dois dígitos nas pesquisas.
Rodrigo Prando, cientista político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, considera que o debate ainda é um dos poucos momentos em que os candidatos precisam confrontar diretamente as ideias dos adversários. Segundo ele, diferentemente da propaganda eleitoral, o formato expõe propostas ao contraditório.
Os especialistas também destacam o peso das redes sociais. Trechos de debates podem viralizar e influenciar a estratégia das campanhas, mas a busca por cortes e memes pode afastar o confronto de temas substantivos. A avaliação apresentada é que candidatos líderes podem evitar esses eventos por terem mais a perder do que a ganhar, embora essa decisão possa mudar conforme o cenário eleitoral avance.
Fonte: BBC News Brasil
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