

Pesquisas militares dos EUA ajudaram a formar cães-robôs da Unitree
Tecnologias desenvolvidas com financiamento do Exército dos Estados Unidos serviram de base para robôs quadrúpedes da chinesa Unitree, que ganhou escala comercial e passou a valer cerca de US$ 9 bilhões antes de sua estreia na bolsa.
O robô Go2, lançado pela Unitree em 2023 e vendido por cerca de US$ 1.600, ajudou a empresa a ampliar rapidamente sua presença no mercado global de robôs quadrúpedes. O crescimento também impulsionou sua oferta pública inicial de ações em Xangai.
Pesquisadores ouvidos pela Reuters afirmaram que projetos financiados pelo Exército dos Estados Unidos serviram de base para o primeiro robô da Unitree produzido em escala comercial relevante. Ben Katz, ex-integrante de um laboratório do MIT, disse que as dimensões da série Go eram praticamente idênticas às do Mini Cheetah, robô que ajudou a desenvolver.
A pesquisa foi realizada no âmbito da Aliança de Tecnologia Colaborativa em Robótica, financiada pelo Exército americano entre 2010 e 2020. Os resultados foram publicados abertamente, e pesquisadores disseram que a Unitree não agiu de forma inadequada ao utilizá-los. A porta-voz do Laboratório de Pesquisa do Exército afirmou que o programa fortaleceu o setor de robótica dos Estados Unidos.
A Unitree vendeu mais de 5.500 robôs humanoides e 18 mil quadrúpedes no ano passado, segundo documentos da empresa. Em contraste, nenhuma empresa americana conseguiu produzir máquinas desse tipo em larga escala, de acordo com a reportagem.
O Pentágono incluiu a Unitree, em junho, em uma lista de empresas ligadas ao setor militar chinês. A classificação não equivale a uma sanção, mas pode limitar o uso futuro da tecnologia da companhia pelas Forças Armadas dos Estados Unidos. A empresa afirma que seus robôs têm aplicações civis.
Apesar dessa posição, a televisão estatal chinesa exibiu robôs da Unitree acompanhando tropas e uma versão modificada de um modelo disparando um fuzil acoplado à estrutura. Em julho, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos proibiu a importação de futuros modelos de robôs humanoides e quadrúpedes fabricados no exterior, incluindo os da Unitree.
Pesquisadores afirmam que restrições comerciais, sozinhas, não bastam para criar uma indústria americana capaz de competir com a chinesa. Para transformar inovação em produção em larga escala, os Estados Unidos precisariam de capital, infraestrutura industrial, mão de obra qualificada e cadeias de suprimentos robustas.
Fonte: g1 Economia
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