

Nova definição de infarto reforça que troponina alta não basta para diagnóstico
A 5ª Definição Universal de Infarto do Miocárdio reorganiza os casos em três grupos e exige evidências de isquemia além da alteração no exame de sangue. O documento também amplia o papel dos exames de imagem e adota valores de referência de troponina específicos para mulheres.
Publicada em 28 de agosto no European Heart Journal, a 5ª Definição Universal de Infarto do Miocárdio abandona a classificação anterior em tipos 1 a 5. A nova proposta organiza os eventos conforme o mecanismo que provocou a lesão no coração e foi elaborada por entidades de cardiologia de quatro organizações internacionais, com especialistas de 12 países e cinco continentes.
Os casos passam a ser divididos em três grupos: o infarto primário, causado por uma alteração aguda da artéria coronária; o secundário, associado a outra doença que desequilibra a oferta e a necessidade de oxigênio do coração; e o relacionado a procedimentos, quando uma intervenção cardíaca provoca uma complicação que compromete a circulação.
A revisão reforça que a troponina elevada indica lesão das células cardíacas, mas não confirma sozinha um infarto. O diagnóstico depende da combinação com sinais de isquemia, como sintomas compatíveis, alterações novas no eletrocardiograma e achados em exames de imagem. A proteína também pode subir em condições como miocardite, sepse, insuficiência cardíaca aguda, embolia pulmonar e hipertensão grave.
No infarto secundário, a nova definição exige evidências de isquemia e de lesão do músculo cardíaco compatíveis com o evento. A oferta de oxigênio pode ser reduzida por anemia, baixa oxigenação do sangue ou pressão muito baixa; já a demanda pode aumentar em situações como taquicardia e hipertensão intensa.
A categoria relacionada a procedimentos reúne eventos ligados a intervenções por cateter e cirurgias cardíacas. O documento deixa de usar como base principal múltiplos fixos da troponina e considera complicações ocorridas em uma janela de até 30 dias, com critérios de imagem e de lesão do músculo cardíaco. O antigo tipo 3, que correspondia à morte cardíaca antes da confirmação por exames, também deixa de existir e passa a ser enquadrado conforme o contexto.
A definição ainda recomenda limites de troponina específicos para cada sexo, já que o percentil 99 costuma ser mais baixo entre mulheres. O MINOCA, por sua vez, passa a ser tratado como um diagnóstico de trabalho —lesão miocárdica com artérias coronárias não obstrutivas—, que exige investigação adicional para identificar a causa.
A angiografia coronariana, o ecocardiograma, a tomografia das coronárias e a ressonância magnética cardíaca ganham importância na confirmação do infarto e na identificação de seu mecanismo. Em locais sem acesso a troponina ou a exames avançados, o diagnóstico pode ser presumido quando há sintomas compatíveis com isquemia e alterações características no eletrocardiograma.
Fonte: g1 Saúde
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