Metadados e arquivos temporários ajudaram PF a identificar contato ligado a Moraes
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Metadados e arquivos temporários ajudaram PF a identificar contato ligado a Moraes

A Polícia Federal cruzou informações de um contrato, dados de arquivos e registros recuperados do celular de Daniel Vorcaro para associar mensagens a um número salvo como “Alexandre de Moraes BRASÍLIA”. O aparelho atribuído ao interlocutor não foi apreendido, e as mensagens enviadas pelo outro lado não foram recuperadas.

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Por Redação Fato Inteiro · 2 de setembro de 2026 às 09:07
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A dúvida sobre como a Polícia Federal identificou o destinatário de mensagens enviadas por Daniel Vorcaro surgiu após a divulgação dos diálogos, em 1º de setembro. O ex-controlador do Banco Master havia salvo o contato como “Alexandre de Moraes BRASÍLIA”, mas o material extraído de seu celular continha apenas as mensagens enviadas por ele.

Um dos elementos analisados foi a minuta de um contrato do escritório Barci de Moraes, da esposa do ministro. O arquivo do Microsoft Word registrava “Guilherme Benazzi” como autor e indicava “Ministro Alexandre de Moraes” no campo de última modificação, com alteração feita minutos antes do envio do documento. O contrato previa 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos e totalizava cerca de R$ 131 milhões.

A investigação também examinou uma conversa com o contato salvo como “Vivi Moraes”, identificado no relatório como Viviane Barci de Moraes. O arquivo foi enviado em 11 de janeiro de 2024, passou por revisões e teve uma versão final encaminhada dois dias depois. A última modificação atribuída ao usuário “Ministro Alexandre de Moraes” teria ocorrido em 15 de janeiro, às 23h04; o contrato foi assinado por Vorcaro no dia 23.

Os metadados podem indicar autor, título, datas e o usuário que salvou ou modificou um documento, mas a Microsoft informa que essas propriedades podem ser alteradas ou removidas. Por isso, segundo a explicação apresentada na reportagem, eles ajudam a reconstruir o histórico do arquivo, mas não equivalem a uma assinatura digital nem comprovam sozinhos quem escreveu o conteúdo.

Para recuperar parte dos diálogos, os investigadores localizaram arquivos temporários no celular de Vorcaro. Ele escrevia as mensagens em um aplicativo de notas, fazia capturas de tela e enviava as imagens pelo WhatsApp com visualização única. A PF cruzou os horários das notas, das capturas, da criação de PDFs temporários e do envio das imagens; como o aparelho do interlocutor não foi apreendido, os arquivos correspondentes do outro lado não puderam ser recuperados.

O escritório Barci de Moraes afirmou que consultou Alexandre de Moraes sobre possíveis impedimentos legais para a contratação pelo Banco Master. Segundo a banca, não havia previsão de atuação no Supremo nem impedimento legal, e o ministro “jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master”.

Fonte: BBC News Brasil

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