Imunoterapia muda tratamento do câncer, mas custo ainda desafia sistemas de saúde
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Brasil

Imunoterapia muda tratamento do câncer, mas custo ainda desafia sistemas de saúde

A evolução da oncologia levou a tratamentos que estimulam o sistema imunológico contra tumores e podem manter a doença controlada por anos. A mudança, reconhecida com o Nobel de Medicina de 2018, também trouxe o desafio dos altos custos.

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Por Redação Fato Inteiro · 5 de setembro de 2026 às 00:38
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O caso de Gilson e Vilma Zago ilustra a transformação no tratamento do câncer. Com duas décadas de diferença, o casal enfrentou tumores de pele agressivos que já haviam atingido os linfonodos quando foram diagnosticados. Nesse intervalo, a oncologia passou a investigar não apenas onde o tumor surgiu, mas também como ele interfere no sistema imunológico.

Em 2004, Gilson foi tratado com cirurgia e acompanhamento por exames. Para casos avançados, as opções incluíam interferon e interleucinas, que provocavam forte reação no organismo e tinham benefício limitado. Naquele período, cirurgia, radioterapia e quimioterapia respondiam por quase 90% dos tratamentos de tumores sólidos, segundo Helano Carioca Freitas, do A.C.Camargo Cancer Center.

A mudança veio com a imunoterapia, que bloqueia mecanismos usados pelo tumor para desativar os linfócitos. Os medicamentos nivolumabe e pembrolizumabe atuam sobre o PD-1, enquanto o ipilimumabe bloqueia o CTLA-4. Já o avelumabe, recebido por Vilma, impede a interação entre o PD-L1 do tumor e o sistema de defesa.

Esses medicamentos não destroem diretamente as células cancerosas. Eles liberam os freios da resposta imunológica, permitindo que o próprio organismo reconheça e ataque o tumor. Por isso, os efeitos colaterais também podem surgir quando o sistema imune ataca tecidos saudáveis, causando inflamações na tireoide, no intestino e na pele.

Vilma recebeu avelumabe para tratar um carcinoma de células de Merkel metastático. A Anvisa aprovou o medicamento em junho de 2018 como o primeiro tratamento específico para esse tipo de câncer no país. Ela iniciou as infusões em julho de 2024 e, segundo o relato, os exames realizados desde o começo do tratamento não encontraram sinais da doença.

A imunoterapia também mudou as perspectivas para alguns casos de câncer de pulmão. Antes, a escolha do tratamento dependia principalmente da classificação do tumor; hoje, o perfil molecular pode identificar mutações para as quais existem medicamentos específicos. Apesar dos avanços, o preço dos tratamentos permanece como um problema não resolvido para os sistemas de saúde.

Fonte: g1 Saúde

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