

Imigrante deportado após pagar US$ 19 mil a advogada nos EUA
Isidro Mendoza Jiménez diz ter pago US$ 19 mil para tentar regularizar sua situação migratória nos Estados Unidos, mas acabou deportado para o México. Ele integra uma das ações coletivas contra Alexandra Lozano Kennedy, acusada de fraude por ex-clientes — acusações que ela nega.
Isidro Mendoza Jiménez viveu por quase quatro décadas nos Estados Unidos, onde chegaram a nascer seus seis filhos. Após entrar no país sem documentos, ele procurou Alexandra Lozano Kennedy, conhecida como “advogada dos milagres”, e afirma ter pago US$ 19 mil na expectativa de obter residência legal e autorização de trabalho.
Segundo o relato à BBC News Mundo, Mendoza Jiménez foi detido por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA dez dias depois de participar de uma entrevista em um escritório federal. Ele foi deportado para o México em 1º de abril, após passar por um centro de detenção em Tacoma, no Estado de Washington.
O imigrante afirma que só conseguiu acessar seu processo depois da deportação. Nos documentos, encontrou uma declaração com sua assinatura segundo a qual teria sofrido maus-tratos de uma filha — informação que diz ser falsa e que nunca autorizou. Ele afirma também que não sabia quais alegações seriam usadas no pedido migratório.
Duas ações judiciais apresentadas em um tribunal federal de Seattle acusam Lozano de enviar ao USCIS pedidos com declarações falsas ou exageradas e de reproduzir assinaturas de clientes em documentos que eles não teriam visto. As ações também alegam que funcionários sem licença para advogar realizavam grande parte do trabalho.
Lozano entregou sua licença para advogar no Estado de Washington em maio, fechou o escritório em junho e foi suspensa pela Junta de Apelações de Imigração. A medida a impede de atuar perante o Departamento de Segurança Interna dos EUA e os tribunais de imigração. Sua defesa rejeitou as acusações; em declaração à agência AP, o advogado Angelo Caldo afirmou que os clientes deveriam revisar os pedidos antes de assiná-los e responsabilizou-os por declarações falsas.
Especialistas ouvidos pela BBC News Mundo alertam para o crescimento de fraudes em serviços jurídicos de imigração, incluindo a atuação de pessoas que se apresentam como advogadas sem licença. Segundo os trechos citados na reportagem, a Comissão Federal de Comércio recebeu 1.012 denúncias desse tipo até o momento do ano, ante 1.625 no ano anterior, 1.315 no período anterior e 623 em 2023.
Fonte: BBC News Brasil
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