Economistas veem pouco espaço para ajuste fiscal sob Lula ou Flávio
Reprodução/Folha de S.Paulo — Em Cima da Hora
Brasil

Economistas veem pouco espaço para ajuste fiscal sob Lula ou Flávio

Investidores avaliam que a dívida brasileira deve continuar crescendo independentemente do vencedor da eleição presidencial de outubro. Analistas dizem que a rigidez do Orçamento e um Congresso fragmentado dificultariam uma mudança significativa na trajetória fiscal.

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Por Redação Fato Inteiro · 26 de agosto de 2026 às 10:42
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Investidores veem poucas diferenças entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na condução fiscal, segundo a Folha de S.Paulo. A avaliação é de que a dívida pública provavelmente continuará aumentando, qualquer que seja o resultado da eleição presidencial de outubro.

Analistas já consideram uma eventual vitória de Lula acompanhada de um ajuste limitado, capaz apenas de reduzir o ritmo de crescimento do endividamento. Para estabilizar a dívida até 2031, seria necessário um esforço fiscal de pelo menos 2,5 pontos percentuais do PIB, ou cerca de R$ 350 bilhões, de acordo com Roberto Secemski, economista-chefe para o Brasil do Barclays.

A rigidez orçamentária e a fragmentação do Congresso são apontadas como obstáculos. Nas eleições, também serão escolhidos os 513 deputados federais e 54 dos 81 senadores, resultado que influenciará a capacidade do próximo presidente de aprovar medidas. “Parece improvável que qualquer um dos candidatos consiga promover um esforço fiscal completo [dessa magnitude]”, afirmou Secemski.

Dados do Banco Central mostram que o déficit nominal médio foi de 8,6% do PIB entre 2023 e 2025 e chegou a 9,99% nos 12 meses encerrados em junho. A dívida bruta alcançou 81,9% do PIB, após alta de 3,3 pontos percentuais no primeiro semestre. O Orçamento de 2026 classifica 92% das despesas primárias como obrigatórias.

A TS Lombard projeta que Lula buscaria reformas nos gastos, mas estima que a dívida chegaria a 94,7% do PIB em 2034. Sob Flávio, a consultoria prevê um ajuste mais rápido e uma regra de gastos vinculada à dívida, mas ainda calcula um pico de 90% do PIB em 2032. Para Marcelo Kalim, do C6, Flávio talvez tenha maior disposição para o ajuste, mas isso só poderá ser verificado quando assumir o cargo.

Fonte: Folha de S.Paulo — Em Cima da Hora

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