

Desastre no Nepal expõe desigualdade na crise climática, diz especialista
Avalanche de lama e gelo no Nepal se soma a desastres possivelmente influenciados pelas mudanças climáticas. Para o diplomata Manjeet Dhakal, países com baixa contribuição histórica para o aquecimento global estão arcando com grande parte dos impactos.
Uma avalanche de lama e gelo devastou a região central do Nepal na quarta-feira (26). A imprensa local classificou o episódio como o desastre de maior impacto econômico da história do país, enquanto a dimensão exata da influência da crise climática ainda é estudada.
O Nepal foi responsável historicamente por 0,05% das emissões de gases de efeito estufa. Segundo o especialista em diplomacia climática Manjeet Dhakal, negociador do grupo dos Países Menos Desenvolvidos nas conferências climáticas da ONU, essa diferença entre responsabilidade e impacto precisa ser enfrentada globalmente.
Dhakal afirmou que o descumprimento de promessas de financiamento por países ricos reduz a capacidade de adaptação das nações vulneráveis. Ele disse que esses países acabam direcionando ao clima recursos destinados a saúde, educação e infraestrutura, o que amplia o endividamento e a pobreza.
O colapso de geleiras é uma consequência conhecida do aquecimento global, e o aumento das temperaturas também pode tornar instável o gelo em grandes altitudes. O Nepal registra episódios relacionados a inundações, derretimento de neve e rios montanhosos desde 2017, segundo os trechos da entrevista.
A meta atual prevê US$ 300 bilhões anuais em financiamento climático para países em desenvolvimento até 2035, abaixo dos US$ 1,3 trilhão reivindicados pelas nações mais pobres. Um fundo para perdas e danos climáticos recebeu, até o momento, promessas de repasses de US$ 822 milhões.
No desastre desta semana, um sistema automatizado de alerta precoce não funcionou, mas avisos por outros meios permitiram a retirada de estudantes de uma escola para uma área mais alta. O alerta chegou com cerca de 15 minutos de antecedência. Para Dhakal, tecnologia, financiamento e cooperação internacional são necessários para ampliar a proteção em uma cadeia montanhosa que se estende por mil quilômetros.
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