

Apoio agrícola global bate recorde, enquanto Brasil mantém subsídios baixos
O apoio dos governos ao setor agrícola superou US$ 950 bilhões em 2025, segundo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No Brasil, a estimativa de apoio ao produtor ficou em 2,6% da receita agrícola bruta entre 2023 e 2025, abaixo da média dos 56 países analisados.
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O relatório da OCDE mostra que o apoio global à agricultura cresceu mais de US$ 121 bilhões, ou 15%, nos últimos dois anos, com destaque para China e Índia, ao contrário do que ocorria no passado, quando os subsídios eram dominados por europeus e americanos.
As grandes economias emergentes representam 67% da produção agrícola e 58% dos auxílios públicos destinados ao setor. A China acumulou cerca de US$ 204 bilhões em transferências anuais aos produtores, decorrentes de políticas baseadas em preços, entre 2023 e 2025. A fatia chinesa nas transferências aos produtores alcançou quase 42% no período.
Na Índia, os preços internos abaixo dos internacionais representaram uma transferência implícita dos produtores para os consumidores da ordem de US$ 119 bilhões. A ajuda governamental aos produtores indianos alcançou US$ 72 bilhões anuais.
O relatório também aponta um ambiente comercial marcado por mudanças nas tarifas, restrições às exportações e outras barreiras. Segundo a OCDE, essas medidas continuarão a afetar grandes produtores como o Brasil, enquanto cerca de 22% das calorias consumidas no mundo devem atravessar fronteiras no médio prazo.
No Brasil, a Estimativa de Apoio ao Produtor caiu de 7,6% da receita agrícola bruta em 2000-2002 para 2,6% em 2023-2025. O índice ficou abaixo da média de 12,8% registrada nos 56 países avaliados.
A OCDE também observa que o acesso brasileiro ao crédito subsidiado está cada vez mais condicionado ao cumprimento de exigências ambientais. Para a organização, ainda há espaço para vincular mais estreitamente os programas de financiamento à adoção de práticas agrícolas sustentáveis.
Globalmente, os consumidores pagaram um imposto implícito de aproximadamente US$ 204 bilhões por ano entre 2023 e 2025, equivalente a 4,4% de seus gastos calculados com base nos preços dos produtos agrícolas primários. O relatório recomenda direcionar melhor os subsídios e submetê-los a condições planejadas para favorecer resultados ambientais positivos.
Fonte: Valor Econômico

