Yayoi Kusama transformou alucinações e performances em linguagem política
Reprodução/Folha de S.Paulo — Em Cima da Hora
Brasil

Yayoi Kusama transformou alucinações e performances em linguagem política

A artista japonesa Yayoi Kusama morreu neste mês, aos 97 anos, após uma trajetória marcada por performances, pinturas e instalações baseadas em bolinhas e padrões repetitivos. Sua obra atravessou a vanguarda, o mercado de arte e a moda.

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Por Redação Fato Inteiro · 27 de agosto de 2026 às 02:18
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Yayoi Kusama construiu uma obra a partir de alucinações que, segundo ela, experimentava desde a infância, quando via bolinhas coloridas por toda parte. Essas imagens deram origem a pinturas, instalações e performances que exploravam a repetição, o corpo e a sensação de desorientação.

Na década de 1960, em Nova York, a artista japonesa realizou performances com pessoas nuas cobertas por bolinhas coloridas. Também criou instalações com esferas prateadas e estruturas em forma de falo, além de desenvolver salas espelhadas que ampliavam padrões e reflexos até o infinito.

A dimensão política esteve presente em parte de seu trabalho. Em uma proposta relacionada à Guerra do Vietnã, Kusama sugeriu um encontro com o então presidente americano Richard Nixon em troca do fim do conflito. A iniciativa não se concretizou.

Kusama passou as últimas décadas internada em um hospital psiquiátrico em Tóquio. Depois de um período de ostracismo, voltou a ganhar destaque a partir da década de 1990, com exposições, megainstalações públicas e obras que alcançaram resultados elevados em leilões.

Sua imagem também se tornou parte de sua produção pública. A peruca e as roupas compunham uma identidade reconhecida de imediato, e Kusama cedeu sua imagem a grandes marcas de moda, como a Louis Vuitton.

Na Bienal de Veneza, onde não havia sido incluída na mostra oficial, Kusama colocou bolas prateadas na água e as vendeu aos visitantes. Instalação com esferas semelhantes permanece no Instituto Inhotim, nos arredores de Belo Horizonte. Ao longo da carreira, ela combinou reconhecimento popular, presença no mercado e uma linguagem visual associada à repetição e à abstração.

Fonte: Folha de S.Paulo — Em Cima da Hora

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