

Wagner Moura critica cultura do cancelamento dentro da esquerda
O ator afirmou apoiar movimentos identitários, mas rejeitou a cultura do cancelamento, que classificou como covarde, independentemente de sua origem política. O músico João Bosco também questionou o que chamou de exageros do identitarismo na esquerda brasileira.
Wagner Moura voltou a comentar a repercussão de sua participação no programa Conversa com Bial, quando usou com humor a expressão “fascismo de esquerda”. Em mensagem enviada à reportagem, ele disse apoiar os movimentos identitários, mas criticou a cultura do cancelamento.
“Eu apoio todos os movimentos identitários. Todos. Mas não a cultura do cancelamento. Acho covarde. Venha da direita ou da esquerda”, afirmou o ator. Moura também reconheceu que errou ao usar o termo “fascisminho de esquerda”, por considerá-lo inadequado e insensível às minorias historicamente atingidas pelo fascismo.
A declaração ocorreu em meio à discussão sobre a patrulha ideológica dentro do campo progressista. O professor Wilson Gomes avaliou que o comentário aponta para a existência de pessoas intolerantes e autoritárias também nesse espaço político.
João Bosco entrou no debate após afirmar ao jornal O Estado de S. Paulo que o identitarismo estaria sendo aplicado de forma exagerada pela própria esquerda. O cantor também defendeu a permanência da música “Gol Anulado” em seu repertório e disse que a canção deve ser compreendida como uma crônica, não como um ato institucional.
A música, que descreve violência contra uma mulher, é alvo de críticas por não deixar explícito se a narrativa condena ou apoia a agressão. Analistas citados pela reportagem divergem sobre a interpretação da obra, enquanto outros defendem que ela expõe o machismo.
O debate inclui ainda críticas à chamada necessidade de “pureza ideológica” e ao uso de temas como racismo, homofobia, feminismo e violência contra a mulher como instrumentos de ataque. Para a jornalista Mariliz Pereira Jorge, esses assuntos precisam ser discutidos, mas não transformados em armas contra pessoas do mesmo campo político.
← Voltar ao início de Fato Inteiro
Newsletter em preparação.
Continue acompanhando as notícias pelo portal.

