

Vídeos de selfies com tubarões levantam alerta sobre riscos de mordidas
Ao menos três influenciadores foram mordidos por tubarões em menos de um ano, segundo a BBC. Especialistas dizem que vídeos de pessoas tocando ou nadando perto dos animais podem estimular comportamentos arriscados.
A advogada e influenciadora digital brasileira Tayane Dalazen, de 37 anos, foi mordida por um tubarão-lixa durante um passeio de mergulho no litoral brasileiro, em abril. O animal, com mais de dois metros, prendeu as mandíbulas em sua coxa e causou lacerações. Dalazen publicou imagens do ferimento, e o vídeo alcançou dezenas de milhões de visualizações.
Segundo ela, os tubarões estavam na superfície e eram numerosos. Mais tarde, descobriu que os organizadores do passeio alimentavam os animais para estimular a interação com turistas. Dalazen afirmou que não tocou nem provocou o tubarão, mas reconheceu que estava muito próxima dos animais.
O caso ocorreu em meio a outros incidentes registrados em vídeo. Em julho, um influenciador de pesca quase perdeu a perna após ser atacado por um tubarão-de-recife durante pesca submarina. Em dezembro, um criador de conteúdo chinês foi mordido nas Maldivas. Pesquisadores do International Shark Attack File também relataram à BBC um aumento acentuado, nos últimos três anos, de mordidas em pessoas que tentavam fotografar tubarões.
Apesar disso, o risco geral continua baixo: os ataques não provocados permanecem praticamente estáveis há 30 anos, em cerca de 70 mordidas por ano no mundo. Cientistas, porém, demonstram preocupação com a frequência crescente de vídeos que mostram pessoas tocando, montando ou nadando muito perto dos animais.
O especialista Kristian Parton afirmou que tubarões podem recorrer a mordidas defensivas ou exploratórias quando um humano invade seu espaço. Estudos citados pela reportagem indicam ainda que a aproximação ou o contato elevam os níveis de glicocorticoides nos animais, o que pode enfraquecer o sistema imunológico, aumentar a mortalidade e provocar perda de filhotes.
Criadores de conteúdo ouvidos pela BBC negaram buscar visualizações e disseram promover a conservação. A especialista Ocean Ramsey, que organiza passeios de mergulho com tubarões no Havaí, afirmou que os animais escolhem se aproximar dela. Pesquisadores contestam esse argumento e alertam que imagens de contato podem transmitir a ideia de que qualquer pessoa pode repetir a prática sem consequências.
Fonte: BBC News Brasil
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