

Ucranianos capturados dizem à BBC por que lutaram pelo exército russo
Prisioneiros de guerra nascidos em Donbas e Luhansk relataram à BBC que se alistaram por identidade, ressentimentos regionais, dinheiro ou para evitar a prisão. Um deles afirmou ter sido forçado a combater.
Em um campo de prisioneiros de guerra no oeste da Ucrânia, a BBC entrevistou soldados nascidos em territórios ucranianos ocupados pela Rússia. Segundo a reportagem, os entrevistados foram informados de que poderiam recusar a conversa e falaram longe dos guardas e sem câmeras, embora a condição dos prisioneiros exigisse cautela na avaliação de seus relatos.
Anton, nascido em Donbas, disse que se alistou para lutar pela Rússia aos 18 anos e que se considera russo. Ele afirmou não se arrepender da decisão e associou sua escolha à ocupação da região, à educação russa e à influência da imprensa controlada pelo Kremlin.
Outro entrevistado, Artyom, também de Donetsk, declarou que foi voluntariamente à guerra, mas criticou seu comandante e afirmou não ter recebido a taxa de alistamento de 400 mil rublos. Já um homem da mesma região disse ter sido obrigado a lutar e afirmou que deseja voltar para a mulher e os filhos, evitando retornar ao front.
A reportagem cita uma pesquisa oficial, baseada em informações de inteligência, segundo a qual mais de 50 mil ucranianos teriam sido recrutados contra a vontade em áreas ocupadas. Os cidadãos ucranianos capturados são julgados por traição, mas permanecem em campos de prisioneiros junto com soldados russos.
No campo, os detidos trabalham em oficinas, produzindo caixões de madeira e árvores de Natal artificiais. Alguns afirmaram usar os salários para comprar comida e cigarros. Prisioneiros também disseram que têm baixa prioridade nas negociações de troca: segundo Konstantin, pouco mais de dez teriam sido transferidos naquele ano.
Fonte: BBC News Brasil
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