

Teste de apego viraliza, mas não explica sozinho os relacionamentos adultos
A Teoria do Apego passou a ser usada nas redes para interpretar comportamentos amorosos, com rótulos como “ansioso” e “evitativo”. Especialista ouvido pela CNN Brasil afirma que a ferramenta pode favorecer o autoconhecimento, mas não deve ser tratada como diagnóstico ou veredito.
Nas redes sociais, a expressão “fase colega de quarto” passou a descrever relações em que o casal deixa de compartilhar intimidade e se limita à rotina da casa, como contas, compras e tarefas domésticas. Nesse contexto, criadores de conteúdo recorreram à Teoria do Apego para tentar explicar crises nos relacionamentos.
A abordagem usada nas redes deriva do campo chamado Apego Adulto, desenvolvido por Cindy Hazan e Phillip Shaver a partir de conceitos da teoria original. Dela vêm termos como “ansioso” e “evitativo”, frequentemente aplicados para interpretar comportamentos como o afastamento ou a redução da comunicação entre parceiros.
Segundo o psicólogo e pós-doutor em psiquiatria Cristiano Nabuco, a teoria original de John Bowlby trata de como o vínculo entre bebês e cuidadores influencia expectativas futuras sobre relacionamentos. Por isso, ela não equivale a um diagnóstico de comportamento amoroso adulto, e testes baseados apenas em atitudes podem não alcançar os padrões que estão por trás delas.
Para Nabuco, o rótulo pode ser um ponto de partida para compreender como a pessoa funciona, mas não deve ser visto como uma sentença. A conscientização sobre reações automáticas pode abrir espaço para novas maneiras de se relacionar, ainda que o padrão de apego formado ao longo da vida tenda a persistir.
A própria teoria prevê que experiências com pessoas capazes de oferecer segurança podem desafiar padrões anteriores. Nabuco também propõe que as pessoas reflitam sobre o conforto que sentem nas relações, a facilidade para depender emocionalmente de alguém e o papel que autonomia e distanciamento desempenharam em suas trajetórias.
Fonte: CNN Brasil
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