Tensões entre Lula, Trump e Milei ampliam disputa sobre eleição brasileira
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Brasil

Tensões entre Lula, Trump e Milei ampliam disputa sobre eleição brasileira

Atritos diplomáticos recentes entre Brasil, Estados Unidos e Argentina levaram analistas a avaliar que Donald Trump e Javier Milei poderiam se beneficiar de uma vitória de Flávio Bolsonaro sobre Luiz Inácio Lula da Silva. Especialistas divergem, porém, sobre o impacto das ações estrangeiras no voto dos brasileiros.

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Por Redação Fato Inteiro · 7 de agosto de 2026 às 18:31
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As relações entre Brasil, Estados Unidos e Argentina se deterioraram após uma sequência de episódios diplomáticos. O governo brasileiro negou a entrada de dois funcionários do Departamento de Estado americano, Milei chamou Lula de “ladrão e corrupto” e Washington cancelou o visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti.

Segundo a Presidência brasileira, os funcionários americanos pretendiam colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral. Washington rejeitou a acusação e afirmou que eles planejavam discutir integridade eleitoral e liberdades religiosa e de expressão. O governo dos Estados Unidos também atribuiu o cancelamento do visto à demora brasileira em conceder o agrément ao novo embaixador americano, Daniel Perez.

Analistas ouvidos pela BBC avaliam que os atritos podem estar relacionados ao interesse de Trump e Milei em uma vitória de Flávio Bolsonaro, candidato da oposição, nas eleições de outubro. Cynthia Arnson, da Universidade Johns Hopkins, afirmou que não há evidência de um ataque coordenado contra Lula, mas disse que os dois presidentes “ficariam satisfeitos se Flávio Bolsonaro fosse eleito”.

Milei participou em 25 de julho da convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro e pediu o fim do que chamou de “lixo socialista”. Após novos ataques a Lula, o Brasil chamou seu embaixador em Buenos Aires para consultas e rebaixou as relações diplomáticas com a Argentina ao nível de encarregado de negócios.

A influência desse cenário sobre o eleitorado, contudo, é incerta. Maurício Santoro, do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha do Brasil, disse que as declarações de Milei provavelmente não alteram o voto, enquanto as tarifas americanas podem favorecer Lula ao permitir que ele se apresente como defensor da soberania brasileira. Para o cientista político, esta pode ser uma eleição especialmente marcada por questões internacionais.

Fonte: bbc.com

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