

TCU cobra estudos antes de eventual caducidade da Enel SP
O Tribunal de Contas da União recomendou ao governo federal e à Aneel que avaliem os impactos de uma eventual interrupção antecipada da concessão da Enel São Paulo. A análise deve considerar a continuidade do serviço, a transição para outro operador e possíveis efeitos nas tarifas.
O TCU apontou a ausência, nos autos, de um estudo estruturado sobre as consequências da eventual caducidade da concessão. A Corte também afirmou não haver evidências de que o Ministério de Minas e Energia tenha feito essa avaliação.
Entre os pontos a serem analisados estão a existência de um operador apto a assumir o serviço, os custos de indenização por investimentos ainda não amortizados, os efeitos tarifários e os riscos para o setor de distribuição. O estudo deverá demonstrar ainda que a medida traria benefício líquido aos consumidores em comparação com alternativas menos gravosas.
O tribunal mencionou riscos de descontinuidade durante a transição, indenização de bens reversíveis de “magnitude bilionária” e incertezas sobre a capacidade de uma empresa assumir uma concessão desse porte. A Aneel mantém em andamento o processo que pode levar à recomendação de encerramento antecipado do contrato; a decisão final, nesse caso, caberia ao governo federal.
MME e Aneel terão de apresentar, em até 60 dias, um cronograma detalhado para garantir a continuidade da distribuição em São Paulo após o fim do contrato atual, previsto para 2028. O documento deverá trazer as ações planejadas e as respectivas justificativas técnicas.
Independentemente do resultado do processo, o TCU recomendou a preparação de estudos para uma eventual nova licitação, incluindo a modelagem do certame, metas de qualidade, regras para indenização de bens reversíveis e condições de atratividade. Também deverá ser avaliada a possibilidade de dividir a área de concessão. Se houver opção pela prorrogação do contrato, MME e Aneel terão de demonstrar que a empresa atende às condições de prestação adequada do serviço e de interesse público.
Fonte: Valor Econômico
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