Talibã amplia restrições e afasta mulheres da vida pública no Afeganistão
Reprodução/Folha de S.Paulo — Em Cima da Hora
Brasil

Talibã amplia restrições e afasta mulheres da vida pública no Afeganistão

Cinco anos após retomar o controle do país, o Talibã impôs mais de 160 decretos que restringem a educação, o trabalho, a circulação e a participação pública de mulheres e meninas. Relatório da ONU Mulheres aponta aumento do isolamento, da pressão social e de sinais de deterioração da saúde mental.

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Por Redação Fato Inteiro · 18 de agosto de 2026 às 23:25
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O Talibã voltou ao poder no Afeganistão há cinco anos, após duas décadas, e restabeleceu um regime islâmico que restringiu os direitos das mulheres. Segundo especialistas, mulheres e meninas foram afastadas da maior parte da vida pública, enquanto as limitações podem afetar o país por muitas décadas.

Mais de 160 decretos passaram a impedir o acesso ao ensino médio e superior e a limitar o trabalho, a circulação, as vestimentas, a fala e o poder de decisão das mulheres. As medidas retomam condições semelhantes às do período em que o Talibã controlou o país no fim da década de 1990.

Em relatório, a ONU Mulheres informou ter entrevistado cerca de 5.000 afegãos em áreas rurais e urbanas ao longo do ano passado e no primeiro semestre deste ano. Cerca de 65% das mulheres disseram que suas vidas estavam piores do que esperavam antes de agosto de 2021, ante aproximadamente 55% dos homens.

Enquanto os homens relataram principalmente frustração com a falta de oportunidades econômicas, as mulheres citaram a perda de acesso à educação e as restrições ao trabalho e à vida cotidiana. O documento também registrou aumento do estresse, da preocupação e da pressão, em sinais associados à deterioração da saúde mental.

A maioria das mulheres entrevistadas, 90%, afirmou precisar da autorização de um homem da família para sair de casa. Mais da metade disse sair apenas uma ou duas vezes por mês, e quase 40% relataram neste ano uma pressão maior para adaptar seu comportamento por medo de denúncias relacionadas a roupas, falas ou atitudes.

Especialistas em direitos humanos afirmam que a crise chegou a um ponto crítico. O Afeganistão é apontado nos trechos como o único país do mundo a proibir formalmente a educação de meninas e mulheres após o ensino primário; a Unesco pediu a restauração plena desse direito.

Fonte: Folha de S.Paulo — Em Cima da Hora

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