

Suspensão europeia de carnes brasileiras ameaça exportações do Paraná
A União Europeia suspendeu, a partir de 3 de setembro, as importações de carnes e produtos de origem animal do Brasil. Segundo o Sistema Faep, o impacto potencial para o Paraná pode superar US$ 392,2 milhões por ano.
A medida europeia atinge embarques brasileiros de carne de frango, carne bovina, ovos, mel e tripas usadas pela indústria alimentícia. A justificativa é que as garantias apresentadas pelo Brasil não seriam suficientes para comprovar o cumprimento das normas sanitárias do bloco sobre bactérias resistentes a medicamentos.
O Paraná está entre os principais produtores e exportadores de proteína animal do país. Em 2025, o estado exportou para a Europa US$ 382 milhões em carne de frango e US$ 10,2 milhões em carne bovina, segundo levantamento do Sistema Faep. No mesmo ano, foram enviados mais de 4,2 milhões de toneladas de produtos agropecuários ao bloco, conforme o Ministério da Agricultura e Pecuária.
A avicultura é o setor paranaense mais exposto. No primeiro semestre de 2026, o estado exportou US$ 224 milhões em carne de frango para a União Europeia. Em julho, os embarques totais do produto atingiram 227 mil toneladas, enquanto 78,7 mil toneladas foram destinadas ao mercado europeu.
Embora a Europa absorva volumes menores que mercados da Ásia, dos Emirados Árabes e da América do Sul, os produtos enviados ao bloco têm maior valor agregado. Entre eles estão peito desossado, cortes salgados e itens industrializados, destinados principalmente a compradores dos Países Baixos, Alemanha, França e Espanha.
A especialista em agronegócio Paula Cristiane Oliveira Braz avalia que a suspensão está relacionada à divergência sobre as garantias e os mecanismos de comprovação apresentados pelo Brasil. A Comissão Europeia informou que realiza uma auditoria no país, inicialmente envolvendo aves e mel, e que recebeu garantias adicionais das autoridades brasileiras.
Para o setor, a permanência da restrição pode exigir a mudança do destino ou do mix de produtos, com possibilidade de venda por preços menores. No mercado interno, o aumento pontual da oferta pode pressionar os preços, enquanto a extensão da medida pode levar empresas a revisar ou adiar investimentos ligados ao mercado europeu.
Fonte: Gazeta do Povo — Paraná
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