

Sobreviventes de exploração sexual dizem ver abusadores livres em Oxford
Mulheres que foram vítimas de exploração sexual infantil em Oxford afirmam à BBC que alguns dos homens envolvidos continuam circulando livremente pela cidade. Muitas vítimas dizem que abusadores receberam penas curtas ou nunca foram processados.
Mulheres na Inglaterra que sobreviveram a anos de exploração sexual afirmam que ainda encontram seus abusadores em locais públicos, como supermercados, postos de gasolina e restaurantes. Os relatos fazem parte de uma reportagem da BBC sobre as gangues que atuaram em cidades inglesas entre as décadas de 1990 e 2010.
Em Oxford, Sarah, Chloe e Rachel — nomes alterados para preservar suas identidades — disseram acreditar que muitos suspeitos continuam soltos. Um ex-detetive que liderou a investigação inicial na cidade também afirmou que pode haver outros envolvidos além dos já identificados.
Sarah relatou ter sido abusada e drogada com heroína desde os 11 anos. Três homens foram condenados em 2020 após seu depoimento, com penas de cinco a 24 anos. Ela considera as sentenças brandas e demoradas. Chloe afirmou que alguns agressores ainda vivem na região e que sente “enjoo e frio” quando os vê.
Rachel foi testemunha central no primeiro julgamento sobre a quadrilha de Oxford, em 2013, que terminou com a condenação de sete homens. O caso revelou o aliciamento, o tráfico e o estupro de seis meninas. Processos posteriores indicaram um número maior de vítimas; uma estimativa de 2015 apontou que mais de 370 crianças haviam sido abusadas.
Segundo os relatos, as meninas eram atraídas com álcool, drogas e outros favores e depois submetidas a abusos sexuais. Rachel afirmou que foi levada para outras cidades, enquanto Chloe disse que nenhum dos homens que a abusaram foi processado pelos crimes cometidos contra ela.
O governo britânico lançou uma investigação nacional para examinar como as quadrilhas atuaram por tanto tempo, o que as forças policiais sabiam e por que muitas crianças não foram acreditadas. O inquérito deve durar até 2029 e terá orçamento de 65 milhões de libras. A polícia do Vale do Tâmisa disse que trabalha para investigar e processar os envolvidos e afirmou: “Nunca é tarde demais para denunciar”.
Fonte: BBC News Brasil
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