

Reino Unido pediu desculpas a mães afetadas por adoções forçadas
Cerca de 250 mil mulheres foram obrigadas a entregar seus recém-nascidos para adoção no Reino Unido entre 1949 e 1976, segundo documentário da BBC. Muitas eram jovens solteiras e de famílias trabalhadoras; relatos descrevem pressão, violência e separação dos filhos.
Marion McMillan tinha 17 anos quando engravidou fora do casamento, em 1966. Enviada da Escócia para uma maternidade do Exército da Salvação em Newcastle upon Tyne, na Inglaterra, ela permaneceu nove meses com o filho antes que ele fosse levado para adoção. O reencontro ocorreu apenas em 2004.
A história de McMillan é uma das apresentadas no documentário da BBC Stolen Babies. O filme aborda mulheres que, entre 1949 e 1976, foram submetidas à decisão do Estado, de assistentes sociais, de organizações religiosas e do sistema de adoção. Muitas esconderam suas experiências durante anos.
Os relatos também incluem Ann Keen, que teve o filho retirado oito dias depois do parto, e Joan Chambers, que engravidou aos 14 anos após ser violentada por um professor. Chambers foi separada do bebê quando ele tinha três semanas; mãe e filho se reencontraram décadas depois.
As mulheres descreveram condições austeras, falta de apoio e tratamentos abusivos. McMillan relatou ter levado um tapa durante o trabalho de parto, enquanto Keen afirmou que lhe negaram anestesia e Chambers disse não ter recebido analgésicos.
Em julho, o então primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, pediu desculpas formalmente às mães. Em 2023, a então primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, também havia reconhecido a responsabilidade do Estado nas adoções forçadas. O Exército da Salvação declarou estar “profundamente arrependido e envergonhado” pelo tratamento dado às jovens.
McMillan defende mais apoio às mães, aos filhos e aos pais adotivos afetados pelas adoções. Ela também propõe a criação, na Escócia, de um centro de apoio e formação para pessoas envolvidas em processos de adoção.
Fonte: BBC News Brasil
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