

Reciprocidade permite a Lula adiar negociação com Trump, avalia analista
Para Thiago Aragão, o governo brasileiro transformou a disputa tarifária com os Estados Unidos em uma questão de soberania nacional. Segundo o cientista político, Lula pode retaliar agora e negociar posteriormente com Donald Trump.
A decisão do governo brasileiro de iniciar o processo de reciprocidade contra as tarifas impostas por Donald Trump foi interpretada por Thiago Aragão como parte de uma estratégia política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O analista avalia que a disputa deixou de ser apenas comercial após ser associada à soberania nacional.
Aragão afirma que o Brasil tem menor dependência comercial dos Estados Unidos do que outros países. Segundo dados da Amcham Brasil citados no texto, as exportações brasileiras para o mercado americano recuaram para US$ 17,4 bilhões, queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025. A participação dos EUA nas vendas internacionais do Brasil caiu para 9,4%, o menor índice desde 1997.
Na avaliação do cientista político, Trump busca um acordo com o Brasil sobre minerais críticos e vantagens para empresas americanas de tecnologia. O Brasil é apontado no texto como detentor da segunda maior reserva mundial desses minerais, o que ampliaria o interesse americano e também abriria espaço para uma aproximação com a China.
Aragão considera que Lula não teria interesse em negociar imediatamente, mas poderia retomar o diálogo mais adiante. Para ele, a reciprocidade também daria visibilidade internacional ao presidente brasileiro, já que, entre os países atingidos pelas tarifas americanas, apenas a China havia adotado medida semelhante.
Fonte: oglobo.globo.com
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