

Reajuste de 15% do Bolsa Família é debatido como estratégia eleitoral
O aumento elevará o piso do benefício de R$ 600 para R$ 691, com pagamentos a partir de 19 de outubro. Analistas divergem sobre o impacto da medida na disputa presidencial, enquanto opositores acionaram o TSE e o governo afirma que a correção repõe a inflação.
O governo anunciou reajuste de 15% no Bolsa Família. Com a mudança, o valor mínimo passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto a média paga pelo programa deverá subir de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores começam a ser depositados em 19 de outubro, poucos dias antes do segundo turno previsto para 25 de outubro.
Para o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, a medida tem potencial eleitoral. Ele comparou o reajuste ao aumento do Auxílio Brasil aprovado durante o governo Jair Bolsonaro em 2022, que levou o benefício de R$ 400 para R$ 600. A diferença, segundo Cortez, é que a correção atual está prevista na legislação do Bolsa Família e não altera o público atendido.
O analista político Creomar de Souza avaliou que mudanças econômicas podem levar meses para influenciar o voto. Como o pagamento reajustado começará próximo do segundo turno, ele considera que o efeito imediato pode ser mais político do que financeiro, ao criar uma agenda positiva para o governo em meio à crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal.
Segundo levantamento BTG Nexus citado pela BBC News Brasil, 73% dos beneficiários do Bolsa Família disseram que votariam em Lula em um eventual segundo turno, contra 23% que escolheriam Flávio Bolsonaro. Cortez afirmou que o reajuste pode ajudar o presidente entre beneficiários do Sudeste, mas não seria suficiente para eliminar a possibilidade de vitória da oposição.
Flávio Bolsonaro declarou que manteria o reajuste caso fosse eleito, mas chamou o anúncio de “desespero” de Lula e afirmou que o decreto seria ilegal. Renan Santos pediu ao Tribunal Superior Eleitoral a suspensão da medida até a posse do vencedor, enquanto Ronaldo Caiado e Romeu Zema também criticaram o anúncio. O governo, por meio da Advocacia-Geral da União, defendeu a legalidade da correção e disse que ela corresponde à inflação acumulada entre março de 2023 e agosto de 2026. A previsão do Ministério do Planejamento é de aumento de R$ 5,8 bilhões nas despesas do programa neste ano.
Fonte: BBC News Brasil
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