

Ranavírus reduz em 83% reprodução de pererecas em reserva de SC
Surtos recorrentes de ranavirose provocaram queda de 83% na reprodução da perereca-macaco em uma lagoa de Santa Catarina. O estudo identificou ao menos três episódios de mortandade entre 2024 e 2026.
Pesquisadores apoiados pela Fapesp comprovaram, pela primeira vez na América do Sul, que o ranavírus causou mortes em massa de girinos e contribuiu para o declínio de uma população silvestre de anfíbios. A doença também pode afetar répteis e peixes.
Os episódios ocorreram na Reserva Particular do Patrimônio Natural Santuário Rã-Bugio, em Guaramirim (SC). Ao todo, foram encontrados 324 girinos mortos: 315 de perereca-macaco (*Phyllomedusa distincta*) e nove de perereca-de-pijama (*Boana bischoffi*).
Entre as pererecas-macaco, 279 animais testaram positivo para o vírus. Análises dos tecidos dos fígados de 13 girinos identificaram lesões compatíveis com uma infecção severa, incluindo destruição e necrose de tecidos.
A primeira mortandade ocorreu em janeiro de 2024. Outros dois eventos foram registrados entre novembro de 2024 e janeiro de 2025 e entre novembro de 2025 e março de 2026. O acompanhamento da lagoa, realizado desde 1999, mostrou que o número de massas de ovos caiu 83% entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, em comparação com o mesmo período de 1999 a 2004.
Os pesquisadores também observaram maior risco de surto quando a umidade caiu de 90% para 65% nas duas semanas anteriores às mortes. Segundo o estudo, a menor quantidade de água pode concentrar os girinos e facilitar a transmissão do vírus, enquanto a baixa umidade pode prejudicar o sistema imune dos anfíbios. O monitoramento da área continua, e estão previstas coletas em locais próximos para avaliar a presença do ranavírus.
Fonte: Poder360
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