Raízes do Brasil relaciona corrupção a vínculos pessoais e dificuldade com regras
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Raízes do Brasil relaciona corrupção a vínculos pessoais e dificuldade com regras

Ensaio sobre os 90 anos da obra de Sérgio Buarque de Holanda revisita o conceito de “homem cordial” e sua relação com a política e a corrupção no país. A análise ressalta que o livro não oferece um receituário, mas ferramentas para interpretar a sociedade brasileira.

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Por Redação Fato Inteiro · 14 de agosto de 2026 às 10:12
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O debate sobre corrupção costuma tratá-la como desvio moral individual ou como característica da ideologia adversária. Quando a discussão busca explicações mais amplas, a prática é frequentemente associada à cultura brasileira e ao livro Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda.

Segundo o ensaio, o autor procurava compreender hábitos, crenças e valores do brasileiro “médio” e suas relações sociais e políticas. A obra, publicada originalmente em 1936, não seria um tratado nem um conjunto de soluções prontas, mas uma interpretação histórica e sociológica da sociedade brasileira.

Um dos conceitos centrais analisados é o de “homem cordial”. No sentido empregado por Sérgio Buarque, a cordialidade está ligada à ação orientada por afetos, emoções e relações familiares ou pessoais — e não à ideia de que o brasileiro seria necessariamente hospitaleiro ou amigável.

Essa lógica ajudaria a explicar a dificuldade em lidar com regras universais e impessoais. O tratamento das normas poderia variar conforme a proximidade com familiares e amigos, abrindo espaço para o “jeitinho” tanto em situações cotidianas quanto no exercício do poder político.

O texto também aborda o chamado espírito de provisoriedade, associado à colonização portuguesa, e sua manifestação na desorganização e no imediatismo. Na política, essa característica apareceria na preferência por soluções provisórias, descritas no ensaio como a prática de “tapar buracos” que voltariam a se abrir.

Embora a sociedade, a política e os métodos das ciências sociais tenham mudado desde a publicação do livro, o ensaio sustenta que os conceitos de Sérgio Buarque ainda podem servir de ponto de partida para pesquisas sobre corrupção e sobre a condução personalista da administração pública. O artigo é assinado por Caio César Vioto de Andrade, doutor em História pela UNESP-Franca, e resulta de uma colaboração do Instituto Não Aceito Corrupção com a VEJA.

Fonte: veja.abril.com.br

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