Protestos em Madri reúnem 25 mil após despejo de idosa de 87 anos
Reprodução/BBC News Brasil
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Protestos em Madri reúnem 25 mil após despejo de idosa de 87 anos

Cerca de 25 mil pessoas protestaram em Madri contra a legislação de aluguéis e despejos após María del Carmen Abascal deixar o imóvel onde morava havia 70 anos. Aproximadamente 500 manifestantes acamparam na Puerta del Sol e afirmam que permanecerão no local até o atendimento das reivindicações.

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Por Redação Fato Inteiro · 28 de setembro de 2026 às 06:45
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O despejo de María del Carmen Abascal, conhecida como Maricarmen, foi o estopim das mobilizações. Aos 87 anos, ela deixou na quarta-feira o apartamento alugado em Madri onde vivia havia sete décadas. Os tribunais consideraram encerrado o contrato de 1956, herdado dos pais da idosa, e deram razão à empresa proprietária Urbagestión.

Na Puerta del Sol, os manifestantes organizaram assembleias, oficinas, discursos e apresentações musicais. Faixas com mensagens como “Todos somos Maricarmen” e “Ação direta e ocupação” foram exibidas diante da sede do governo regional de Madri. As críticas são dirigidas às autoridades nacionais, regionais e municipais.

O Sindicato dos Inquilinos de Madri reivindica contratos por prazo indeterminado ou renovação automática, congelamento dos aluguéis e proibição de despejos sem oferta de moradia alternativa. A entidade também defende restrições a aluguéis por temporada e por quartos, além da expropriação de imóveis de empresas e fundos de investimento que classifica como “fundos abutres”.

A mobilização ocorre em meio à alta dos preços dos imóveis. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, os valores subiram 12,2% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior; na Comunidade de Madri, a alta foi de 12,9%. Dados do Banco da Espanha indicam ainda que, entre 2021 e 2025, foram construídas 750 mil moradias a menos do que o necessário para atender à demanda.

O presidente Pedro Sánchez afirmou que trabalha para apresentar um decreto sobre moradia ao Conselho de Ministros. A porta-voz do Sindicato dos Inquilinos, Alicia del Río, disse que o acampamento continuará se a norma não incluir contratos por prazo indeterminado. O Partido Popular apresentou propostas alternativas, enquanto a Prefeitura de Madri criticou a permanência do protesto na praça.

Manifestações também foram registradas em Barcelona, Alicante e Santiago de Compostela. Segundo a imprensa espanhola, protestos foram convocados em 40 cidades do país.

Fonte: BBC News Brasil

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