

Proibição das bets pode favorecer varejo, mas mantém incerteza jurídica
Analistas avaliam que parte dos recursos gastos em apostas pode voltar ao consumo e beneficiar empresas da B3. O efeito, porém, pode ser limitado pelo endividamento, pelos juros elevados e pela migração para plataformas clandestinas.
A proibição das apostas de quota fixa pode aliviar o orçamento de algumas famílias e favorecer empresas do varejo, segundo analistas ouvidos pela CNN Brasil. A avaliação é que parte dos recursos usados em bets poderia ser redirecionada para compras ou para o pagamento de dívidas.
Bancos e supermercados aparecem entre os possíveis beneficiados inicialmente. O impacto poderia chegar depois a farmácias e, de forma mais gradual, aos segmentos de vestuário e eletrodomésticos. No varejo alimentar, foram citados Assaí e Carrefour; entre outras empresas, Casas Bahia, Renner e C&A.
Os analistas ressaltam, contudo, que o efeito positivo pode ser apenas de curto prazo. O endividamento das famílias continua pressionando o varejo, e os juros elevados são apontados como um fator central sobre o orçamento e a capacidade de pagamento dos consumidores.
A combinação da proibição das bets com o reajuste do Bolsa Família pode estimular o consumo, especialmente entre famílias de menor renda. Ainda assim, juros restritivos, endividamento elevado e sinais de desaceleração da economia reduzem o alcance dessa melhora.
O mercado regulado de apostas registrou R$ 36,9 bilhões em receita bruta de jogos em 2025, segundo estimativa do BTG. Analistas afirmam que será necessário acompanhar quanto desse dinheiro poderá migrar para bets clandestinas, o que dificulta estimar uma recuperação do consumo.
A medida provisória publicada pelo Governo Federal na sexta-feira (25) proibiu a oferta de apostas de quota fixa, incluindo apostas esportivas e jogos online. O texto depende de análise do Congresso em até 120 dias, enquanto a mudança repentina nas regras aumenta a incerteza e reduz o apetite de investidores de longo prazo.
Fonte: CNN Brasil
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