

Programas de Lula e Flávio Bolsonaro divergem sobre clima e desmatamento
O plano de governo de Flávio Bolsonaro não menciona mudança climática, enquanto o programa de Lula cita o tema 38 vezes. As propostas também estabelecem metas diferentes para o desmatamento e apresentam convergências na área de petróleo e gás.
O programa de Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência, intitulado “Para o Brasil vencer o atraso”, tem 76 páginas e não menciona a mudança climática. Já as “Diretrizes para o Programa de Transformação do Brasil”, apresentadas por Luiz Inácio Lula da Silva, citam o termo 38 vezes em 84 páginas.
Na área de energia, o programa de Lula prevê acelerar a substituição progressiva de combustíveis fósseis por biocombustíveis e opções de baixa intensidade de carbono, como derivados de hidrogênio. O plano de Flávio não utiliza a expressão “combustíveis fósseis”, mas prevê atrair investimentos para biocombustíveis, energia solar, eólica e hidrogênio verde.
As metas para o desmatamento também são diferentes. Lula propõe alcançar o desmatamento líquido zero até 2030, combinando a redução da derrubada com a recuperação de florestas. Flávio estabelece como objetivo zerar o desmatamento ilegal até 2029.
O programa de Flávio menciona a intenção de “eliminar superposições entre Ibama, Funai e ICMBio”. Para o economista Cláudio Frischtak, a proposta ambiental do senador “não se aprofunda o suficiente”. Ele também afirmou que “O processo de licenciamento atrasa no país porque nos órgãos ambientais falta gente. E porque vivemos em uma Federação - não adianta culpar a União e esquecer a responsabilidade de Estados e municípios”.
Frischtak disse não considerar correto classificar Flávio como negacionista climático, mas avaliou que o programa do senador não tem o mesmo grau de profundidade sobre clima que o de Lula. Em programa da TV Cultura, o advogado Fabio Feldmann classificou os programas ambientais dos dois candidatos como “radicalmente opostos”.
Fonte: Valor Econômico
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