Por que a estética dos anos 1980 era tão colorida e extravagante
Reprodução/BBC News Brasil
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Por que a estética dos anos 1980 era tão colorida e extravagante

A imagem dos anos 1980, marcada por cores fortes, roupas chamativas e formas exageradas, voltou a circular em uma trend de fotos geradas por inteligência artificial. Especialistas ouvidos pela BBC relacionam essa estética à reação cultural às crises, à repressão e às transformações do mercado de imagens.

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Por Redação Fato Inteiro · 12 de setembro de 2026 às 11:43
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A trend viralizou nas redes sociais ao recriar fotos como se tivessem sido feitas nos anos 1980, com cabelos volumosos, roupas brilhantes e cores vibrantes. Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, embora a inteligência artificial possa exagerar alguns elementos, a aparência associada à década teve correspondência na cultura do período.

Para o professor de design Francisco Homem de Melo, a extravagância surgiu como uma reação ao cansaço provocado pelas dificuldades e pelo ambiente político dos anos 1970. No Brasil, mesmo durante o processo de abertura da ditadura, músicas, filmes, peças e programas de televisão ainda eram censurados, enquanto opositores eram perseguidos e manifestações políticas, controladas.

A televisão, a música e a moda ajudaram a consolidar esse repertório. Programas apresentados por Xuxa, Bozo, Gugu Liberato e Chacrinha apostavam em cenários e performances exuberantes. Na música, artistas como Menudos, Ney Matogrosso, Madonna e Michael Jackson contribuíram para uma cultura pop em que figurinos, videoclipes e performances tinham papel central.

No design, o movimento pós-modernista questionou a ideia de que objetos deveriam ser apenas discretos e funcionais. O grupo italiano Memphis criou móveis e objetos com cores intensas, formas irregulares e estampas chamativas. No Rio de Janeiro, bandas como Barão Vermelho, Blitz, Kid Abelha e Paralamas do Sucesso expressaram a ruptura com comportamentos associados ao regime por meio do pop rock.

A estética também se relacionou às novas formas de produção e circulação de imagens. Para o jornalista Zeca Camargo, a popularização do videocassete e do VHS ampliou a possibilidade de gravar e editar vídeos, ainda que com recursos limitados. O filósofo Fredric Jameson, por sua vez, associou o pós-modernismo à expansão da publicidade, da mídia e do consumo, em um cenário no qual a aparência ganhava valor comercial.

Fonte: BBC News Brasil

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