Por que a cura do HIV ainda é um desafio para a ciência
Reprodução/g1 Saúde
Brasil

Por que a cura do HIV ainda é um desafio para a ciência

A ciência já registrou 13 pessoas consideradas curadas do HIV, mas os casos ocorreram em situações específicas, principalmente após transplantes de células-tronco. Pesquisadores buscam reproduzir esses resultados sem recorrer a um procedimento de alto risco.

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Por Redação Fato Inteiro · 7 de setembro de 2026 às 01:32
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Quarenta e cinco anos após o início da epidemia de HIV, a cura deixou de ser apenas uma possibilidade teórica. Ainda não existe, porém, um tratamento simples e disponível para todas as pessoas que vivem com o vírus.

Os medicamentos antirretrovirais impedem a multiplicação do HIV e podem reduzir a carga viral a níveis indetectáveis. Eles não eliminam, contudo, o vírus que permanece em algumas células do sistema de defesa, formando os chamados reservatórios virais. Quando o tratamento é interrompido, esse HIV pode voltar a se multiplicar.

Os casos de cura registrados até agora ocorreram principalmente em pacientes submetidos a transplantes de células-tronco para tratar doenças graves, como leucemia ou linfoma. O procedimento pode substituir parte do sistema imunológico e, em alguns casos, envolver doadores com alterações genéticas que dificultam a entrada do HIV nas células. Por causa dos riscos, essa estratégia não é indicada apenas para tratar a infecção.

No Brasil, uma pesquisa liderada pelo infectologista Ricardo Diaz, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), busca alternativas ao transplante. Em um estudo anterior, um paciente recebeu medicamentos e outras intervenções para atingir o reservatório viral e fortalecer a resposta imunológica. Após interromper os antirretrovirais, ele permaneceu cerca de um ano sem sinais detectáveis do vírus, mas o HIV voltou posteriormente.

Entre as abordagens estudadas estão a tentativa de “acordar” o HIV escondido para eliminar as células infectadas e a manutenção do vírus em estado permanentemente silencioso. Também são investigados anticorpos, terapias celulares e edição genética. A equipe de Diaz prepara um estudo de fase 2 com cerca de 60 voluntários para testar uma combinação dessas estratégias.

Segundo a fonte, 13 pessoas são consideradas curadas do HIV pela Sociedade Internacional de AIDS. Pesquisadores afirmam que novas terapias imunológicas já permitiram que alguns participantes controlassem o vírus após a suspensão dos antirretrovirais, mas nenhuma abordagem produziu até agora uma cura segura e disponível para a população. “O reservatório viral, que é a persistência do vírus, é o grande obstáculo para a cura”, explica Diaz.

Fonte: g1 Saúde

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