PF indicia ex-integrante da cúpula por suspeitas de corrupção e lavagem
Reprodução/Folha de S.Paulo — Em Cima da Hora
Brasil

PF indicia ex-integrante da cúpula por suspeitas de corrupção e lavagem

A Polícia Federal indiciou o delegado Rodrigo Teixeira por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de investigação sobre uma organização criminosa ligada ao setor de mineração. Outras nove pessoas também foram indiciadas, entre elas uma delegada da corporação.

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Por Redação Fato Inteiro · 27 de agosto de 2026 às 10:47
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O inquérito integra um dos braços da Operação Rejeito, que apura supostos crimes relacionados à mineração em Minas Gerais e à Agência Nacional de Mineração (ANM). Teixeira é apontado como um dos principais investigados.

Segundo o relatório da PF, ele teria mantido atuação no mercado minerário por meio de empresas e articulações com empresários investigados, enquanto ocupava cargos na instituição. A investigação afirma ainda que o delegado criou e administrou uma empresa do setor, foi sócio de outra e teria usado a função para interferir em apurações, acessar dados sigilosos e vazar informações.

De acordo com o documento, empresas ligadas ao caso receberam direitos minerários que já renderam mais de R$ 4 milhões e podem alcançar R$ 27 milhões, conforme estimativa pericial. A PF descreve Teixeira como integrante corrompido do núcleo central da organização e afirma que ele teria trocado sua influência funcional por vantagens no negócio.

O advogado Bruno Cesar contestou o relatório. Segundo ele, depoimentos de outros delegados teriam afastado a hipótese de que Teixeira tenha dificultado investigações. Em nota, a defesa afirmou que o documento não teria base probatória suficiente e que o inquérito ainda não conta com contraditório e ampla defesa.

Teixeira foi diretor administrativo da PF nacional de janeiro de 2023 a março do ano passado. Ele foi preso preventivamente em setembro de 2025, quando a operação foi deflagrada. Também foi superintendente da PF em Minas Gerais entre janeiro de 2018 e janeiro de 2019.

Além do delegado, foi indiciada uma delegada da PF que teria atuado para intimidar uma empresa adversária de Teixeira. O lobista Gilberto Horta Carvalho, também preso em setembro passado, foi indiciado por lavagem de dinheiro e tentativa de atrapalhar a investigação. A reportagem não localizou a defesa dele.

Em relatório anterior, de junho, a PF havia indiciado Mauro Sousa, diretor-geral da ANM, por suspeita de integrar uma associação criminosa voltada à exploração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, em Minas Gerais. Sousa nega irregularidades.

Fonte: Folha de S.Paulo — Em Cima da Hora

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