

PF indicia 16 ligados à Voepass por acidente que matou 62 em Vinhedo
A Polícia Federal indiciou 16 pessoas ligadas à Voepass pelo acidente aéreo ocorrido em agosto de 2024, em Vinhedo (SP), que deixou 62 mortos. O relatório aponta omissão de falhas técnicas para manter aeronaves em operação.
Os investigados ocupavam funções em diferentes níveis da empresa, incluindo a diretoria-presidente e áreas de operações, manutenção e segurança operacional. Também foram indiciados chefes de centros de controle, gerentes de engenharia, um mecânico, três despachantes e três pilotos.
Todos responderão por atentado contra a segurança do transporte aéreo e estão proibidos de deixar o Brasil por determinação da Justiça Federal. Um dos pilotos, responsável pelo comando da aeronave no voo anterior ao acidente, também foi indiciado por falsidade ideológica, sob suspeita de ter omitido problemas ou registrado informações falsas no diário de bordo.
Segundo a investigação, havia uma “cultura de omissão” na Voepass, com orientação para que falhas técnicas não fossem formalmente registradas. A PF também apontou práticas de manutenção destinadas a ocultar defeitos, como a transferência de peças entre aeronaves.
No voo entre Guarulhos e Cascavel, o alerta de falha no sistema de degelo teria sido acionado oito vezes. Apesar da previsão de formação de gelo severo e do funcionamento instável do equipamento, a aeronave decolou; posteriormente, perdeu o controle em Vinhedo.
O indiciamento não representa condenação. O relatório será analisado pelo Ministério Público Federal, que decidirá se apresenta denúncia à Justiça. A PF também encaminhou documentos para apurar eventual omissão ou improbidade da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que recebeu autorização para acessar as provas e realizar auditoria interna sobre sua fiscalização.
Fonte: Gazeta do Povo — Paraná
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