

PF aponta Flávio como interlocutor em repasses para filme sobre Bolsonaro
Documentos tornados públicos após a retirada parcial do sigilo do caso Master indicam que o senador Flávio Bolsonaro negociava com Daniel Vorcaro recursos para o filme “Dark Horse”. O ministro André Mendonça determinou a abertura de inquérito para investigar a atuação do parlamentar.
Documentos da Polícia Federal apontam que Flávio Bolsonaro era interlocutor direto do ex-banqueiro Daniel Vorcaro nas tratativas sobre os repasses para “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo os investigadores, o senador negociava os valores, enquanto Eduardo Bolsonaro administrava os recursos nos Estados Unidos.
A negociação teria alcançado ao menos US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 122 milhões, pagos em parcelas ao fundo Havengate, sediado no Texas e administrado pelo advogado Paulo Calixto. A PF afirma que Flávio cobrou pagamentos e participou de reuniões presenciais com Vorcaro.
Relator do caso no Supremo Tribunal Federal, o ministro André Mendonça abriu, em julho, inquérito para apurar a atuação do senador no financiamento do filme, após solicitação da PF. A corporação investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e organização criminosa.
De acordo com a representação enviada ao STF, Flávio enviou a Vorcaro, na véspera da prisão do ex-banqueiro, em novembro de 2025, um áudio no qual o chamava de “irmão” e afirmava que estaria com ele “sempre”. O sigilo de parte dos documentos foi retirado na sexta-feira (12), a pedido do presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
A PF também questiona o uso do Havengate. Segundo os investigadores, o fundo havia sido criado para um empreendimento imobiliário, permaneceu inativo por quase quatro anos e recebeu a primeira remessa vinculada ao filme em fevereiro de 2025. A corporação suspeita ainda que parte dos recursos possa ter sido usada para manter Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Flávio afirmou apoiar a investigação e pediu a divulgação dos documentos. Ele nega irregularidades e sustenta que os recursos destinados ao filme tinham origem privada. Em outro inquérito, sob relatoria do ministro Flávio Dino, a PF apura possível uso de emendas parlamentares no projeto e realizou buscas contra o deputado Mario Frias e outras pessoas ligadas à produção.
Fonte: Valor Econômico
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