Paciente com câncer raro tem pedido de remédio experimental negado
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Brasil

Paciente com câncer raro tem pedido de remédio experimental negado

Ziara Abud tem melanoma uveal metastático e não pode usar o único tratamento aprovado no Brasil para parte dos casos. Ela tentou obter, por uso compassivo, uma combinação experimental que ainda está em estudo, mas recebeu uma resposta negativa da empresa.

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Por Redação Fato Inteiro · 27 de setembro de 2026 às 05:28
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Ziara Abud, de 59 anos, tem melanoma uveal, um câncer raro que se origina dentro do olho. Diagnosticada em janeiro de 2020, ela passou por cirurgias e diferentes tratamentos, mas a doença se espalhou para o fígado, os pulmões, o cérebro, os ossos e uma região próxima ao coração.

A paciente não pode usar o tebentafusp, aprovado no Brasil em 2025, porque o medicamento depende de um tipo específico de HLA, presente em 20% a 30% da população. Sem essa característica, Ziara passou por quimioterapia, cirurgias, imunoterapias e terapias-alvo, com respostas que deixaram de funcionar à medida que o tumor mudou.

A aposta dela e do oncologista Rodrigo Munhoz é o darovasertib, combinado ao crizotinibe. A terapia-alvo em comprimido apresenta resultados promissores contra o melanoma uveal, mas ainda está em estudo. Como não conseguiu entrar no ensaio clínico, Ziara recorreu ao uso compassivo, mecanismo pelo qual uma empresa pode fornecer gratuitamente um medicamento experimental a um paciente sem alternativas tradicionais.

O pedido foi feito pelo médico em agosto de 2026 à IDEAYA Biosciences, responsável pelo desenvolvimento do darovasertib. A empresa negou o acesso e não explicou o motivo. Procurada, informou que o remédio ainda é experimental e não foi aprovado pela FDA, dos Estados Unidos, ou por outra agência reguladora global. Também disse trabalhar para que ele chegue aos pacientes, sem indicar prazo.

Especialistas citados pelo g1 apontaram como possíveis fatores para a negativa os dados ainda intermediários, a toxicidade elevada, o fato de a paciente não se enquadrar nos critérios do estudo e os custos do desenvolvimento. O estudo está na fase 3, a última antes do pedido de aprovação, mas ainda não há prazo para a análise regulatória; no Brasil, a empresa não solicitou registro à Anvisa.

“Eu amo viver, eu quero continuar vivendo. Eu tenho só 59 anos, sabe? Ainda tem muita vida”, disse Ziara. Mesmo após a negativa, ela continua tentando obter acesso ao tratamento, enquanto afirma não saber se terá tempo para esperar a conclusão da pesquisa e a eventual chegada do medicamento ao mercado.

Fonte: g1 Saúde

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