

Ombudsman critica associação entre juros e crise da Casas Bahia
Coluna da Folha afirma que a cobertura da recuperação judicial da Casas Bahia e da Marabraz deu destaque excessivo à política de gastos do governo Lula. Texto defende que problemas de gestão, estratégia comercial, disputas societárias e decisões tomadas em período de juros baixos também sejam considerados.
A ombudsman Alexandra Moraes criticou a forma como a crise da Casas Bahia e da Marabraz foi apresentada em um editorial da Folha. O texto havia relacionado nominalmente os pedidos de recuperação judicial à política de gastos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo a coluna, a associação factual foi simplista e deu peso excessivo aos juros como explicação para a situação das varejistas. A análise ressalta que transformações do mercado, deficiências de gestão e estratégia comercial e disputas societárias também aparecem entre os fatores envolvidos.
A coluna cita que a Casas Bahia havia feito um acordo extrajudicial com bancos em 2024 e enfrentava problemas havia anos. Também menciona uma disputa familiar que teria atrasado a modernização do grupo e a demissão de quase 12 mil funcionários desde 2023.
O texto afirma ainda que reportagens anteriores da própria Folha registraram declarações otimistas do CEO em março, quando ele disse que o pior momento da empresa havia passado, além de vendas de R$ 10,2 bilhões pelo crediário em 2025.
A ombudsman também aponta que a cobertura deveria detalhar melhor as dificuldades atribuídas às próprias empresas e esclarecer quanto das dívidas envolve dinheiro do contribuinte. A coluna menciona, por fim, relatos de investigação da Polícia Federal sobre suspeita de manipulação no registro de bônus da Casas Bahia e a inclusão da empresa entre as investigadas em um esquema de fraude no ICMS em São Paulo.
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