Música gerada por IA com vozes clonadas toca em rádios brasileiras
Reprodução/BBC News Brasil
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Música gerada por IA com vozes clonadas toca em rádios brasileiras

A faixa “A Sina de Ofélia”, criada com vozes clonadas de Luísa Sonza e Dilsinho e baseada em uma música de Taylor Swift, acumulou milhões de reproduções. Segundo levantamento da Crowley, ela foi executada 3.064 vezes em 47 emissoras de rádio.

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Por Redação Fato Inteiro · 31 de agosto de 2026 às 09:07
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A música foi produzida com inteligência artificial generativa, que reproduziu as vozes dos artistas brasileiros em uma versão em português de “The Fate of Ophelia”, de Taylor Swift. A autoria da faixa ainda é desconhecida, algo comum em conteúdos produzidos com IA.

Compartilhada no Spotify, Instagram e TikTok, “A Sina de Ofélia” também passou a tocar em rádios, principalmente no interior do país. O monitoramento da Crowley, feito a pedido da BBC News Brasil, registrou 3.064 execuções em 47 estações. O número pode ser maior, pois a empresa acompanha regiões selecionadas e apenas transmissões de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h.

As execuções renderam pelo menos R$ 50 mil, segundo o Ecad. O valor está retido porque a instituição ainda não identificou um autor a quem os recursos possam ser repassados. Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a produção pode configurar fraude e que sua reprodução nas rádios pode gerar sanções civis e criminais.

Luísa Sonza e Dilsinho foram procurados, assim como Taylor Swift e as gravadoras envolvidas. As equipes de Sonza e Dilsinho disseram informalmente que desconheciam o caso, mas nenhum dos dois respondeu aos questionamentos ou concedeu entrevista. A rádio que mais exibiu a faixa, a Mega FM, de Ribeirão Preto, também não respondeu.

Para especialistas, a proximidade entre a letra brasileira e a música de Taylor Swift vai além de uma inspiração: as duas mantêm estrutura narrativa e imagens semelhantes. O advogado Guilherme Valente afirmou que uma tradução depende de autorização do autor e que a responsabilidade das rádios é maior porque há curadoria na escolha das músicas.

O Ecad informou que, entre janeiro e agosto, reteve royalties de 62.292 músicas criadas com IA. As rádios responderam por 5% dos valores retidos. A Abert diz orientar suas associadas a não reproduzir músicas feitas por inteligência artificial, embora avalie que o caso de “A Sina de Ofélia” pareça isolado.

Fonte: BBC News Brasil

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