

Mensagens apontam articulação de Vorcaro com grupo ligado a Padilha
Mensagens obtidas pela Polícia Federal e analisadas pelo Poder360 mostram contatos de Daniel Vorcaro com pessoas ligadas ao ministro Alexandre Padilha para tentar marcar reuniões com fundos de pensão estatais. Segundo relato atribuído ao banqueiro, as negociações envolveriam pagamentos de 10% dos valores captados.
Uma reunião cancelada com dirigentes da Petros, em fevereiro de 2024, teria dado início à aproximação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com pessoas ligadas a Alexandre Padilha. À época, Padilha era ministro da Secretaria de Relações Institucionais do governo Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com a reportagem da revista VEJA, publicada e confirmada pelo Poder360, Vorcaro buscou ajuda de Padilha, de Olavo Noleto, então ligado ao ministério, e do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. O objetivo seria obter encontros com dirigentes de fundos de pensão da Petrobras, dos Correios, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil.
As conversas eram intermediadas pelo consultor Júlio Cezar. A Polícia Federal encontrou mais de 450 mensagens e mais de 180 registros de telefonemas entre ele e Vorcaro. Segundo a fonte, o banqueiro pretendia captar cerca de R$ 10 bilhões, dos quais R$ 1 bilhão seria destinado ao pagamento de propina, conforme versão atribuída a Vorcaro.
Em 1º de março de 2024, Vorcaro se reuniu com Padilha no Palácio do Planalto. Segundo relato do banqueiro citado pela VEJA, também participaram Olavo Noleto, Júlio Cezar e um primo do consultor identificado como Fernando. Depois do encontro, Vorcaro afirmou que o grupo teria condicionado o acesso do Master à Previ, à Petros e ao Postalis ao pagamento de 10% dos valores captados.
As mensagens também registram tratativas com representantes da Petros e do Postalis. Em maio de 2024, Júlio Cezar disse que tentaria acelerar uma reunião com Henrique Jäger, então presidente da Petros, e pediu atualizações sobre as negociações com o Banco do Brasil. Em 29 de abril, o Banco Master foi incluído na lista de instituições habilitadas a receber recursos de fundos de pensão.
No mesmo dia, Júlio cobrou R$ 500 mil de Vorcaro. Segundo a reportagem, o banqueiro teria feito o pagamento e, depois, cobrado resultados. As articulações, conforme relato de Vorcaro citado pela VEJA, continuaram após reportagens publicadas em julho de 2024; em outubro daquele ano, Júlio também teria organizado um jantar entre Vorcaro, Padilha e Olavo Noleto e tentado marcar uma reunião com o presidente Lula, que não se confirmou.
Fonte: Poder360
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