

Memória do nazismo vira foco de disputa eleitoral na Alemanha
A AfD defende reduzir o ensino sobre o nazismo e cortar recursos para a chamada arte “anti-alemã” caso conquiste o governo da Saxônia-Anhalt. A proposta integra uma agenda apresentada pelo partido como “mudança patriótica”.
A Alternativa para a Alemanha (AfD) quer alterar o currículo de história nas escolas da Saxônia-Anhalt, dando mais espaço ao período anterior à Primeira e à Segunda Guerra Mundial. Hans-Thomas Tillschneider, responsável pelo programa, afirmou que ainda haverá aulas sobre o Nacional-Socialismo, mas “em menor escala”.
O partido também promete hastear a bandeira alemã diariamente nas escolas públicas e melhorar a preservação de memoriais dedicados a soldados alemães. Em seu manifesto, a AfD classifica as políticas de memória dos crimes nazistas como um “complexo de culpa”.
A legenda pretende conquistar maioria parlamentar no estado, o que permitiria assumir áreas como cultura, policiamento e educação. Segundo as pesquisas citadas pela BBC, essa possibilidade existe. Uma vitória marcaria a primeira vez que um partido de extrema-direita teria poder significativo na Alemanha no período pós-guerra, de acordo com a reportagem.
Na área cultural, a AfD afirma que o dinheiro dos contribuintes deve priorizar obras que contribuam para uma identidade alemã, embora reconheça a proteção legal à liberdade artística. Críticos veem ecos do nacional-socialismo na proposta e associam a medida ao controle cultural exercido pelo regime nazista.
Ulrich Siegmund, candidato do partido no estado, defendeu ensinar a história alemã “em sua totalidade”, com “orgulho e uma perspectiva positiva”. Já o diretor de teatro Frank Martin Widmaier rejeitou a ideia de que a cultura da memória represente um “complexo de culpa” e afirmou que é necessário lidar com o passado para impedir que os crimes se repitam.
A AfD rejeita acusações de extremismo e comparações com o nacional-socialismo. O partido lidera as pesquisas na Saxônia-Anhalt e também aparece à frente em nível federal, embora com vantagem menor, segundo a BBC.
Fonte: BBC News Brasil
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