

Maioria rejeita uso eleitoral de igrejas, aponta pesquisa sobre religião e política
Levantamento Iser/Quaest mostra que 90% são contra campanhas eleitorais em espaços religiosos. A pesquisa também indica que a influência da religião ocorre mais pela formação de valores e pelas redes de pertencimento do que por orientações diretas de voto.
A maioria dos entrevistados pela pesquisa nacional Religião e Vida Pública no Brasil rejeita a transformação de igrejas em espaços de campanha e a indicação de candidatos por lideranças religiosas. Segundo o levantamento, 83% são contrários à orientação de voto por pastores e padres, 82% rejeitam discussões políticas durante cultos e missas e 90% são contra campanhas eleitorais dentro de templos.
Realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest Pesquisa e Consultoria, a pesquisa ouviu 15 mil pessoas presencialmente, em 412 municípios, incluindo as 27 capitais, durante janeiro e fevereiro. A margem de erro informada é de 1%.
Para a pesquisadora Lívia Reis, do Iser, a influência religiosa na política ocorre menos pela transferência direta de votos e mais pela formação de valores, identidades e vínculos. “É mais correto falar em mediação religiosa do voto do que em transferência de votos”, afirmou.
O levantamento aponta que essa mediação também ocorre fora dos templos. Entre os entrevistados, 66% disseram usar o WhatsApp para articular comunidades e grupos religiosos on-line. De acordo com Reis, mensagens políticas podem circular por grupos de igrejas, influenciadores religiosos e vídeos compartilhados por familiares.
A pesquisa descreve o segmento evangélico como heterogêneo, correspondente a 29% da população brasileira. Entre os evangélicos, 70% são pentecostais, 17% protestantes e 10% afirmam não pertencer a uma igreja. O catolicismo representa 50% da população, sendo 31% de praticantes e 19% de não praticantes.
Os dados também registram diferenças internas em temas morais. Entre evangélicos, 79% apoiam a educação sexual nas escolas, 80% são favoráveis ao uso de métodos contraceptivos e cerca de 90% rejeitam o homeschooling. Sobre o aborto, 47% apoiam a punição e 45% são contrários a ela.
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