

Mães buscam notícias de familiares presos sob regime de exceção em El Salvador
Criado por familiares de detidos, o coletivo Mulheres pela Liberdade reúne centenas de mulheres que reivindicam informações, visitas e julgamentos individuais. Muitas enfrentam dificuldades para custear deslocamentos e pacotes mensais enviados às penitenciárias.
Marcela Alvarado não vê o filho José Duval Mata Alvarado desde que ele foi detido por soldados, em abril de 2022, na comunidade rural de La Noria, em Jiquilisco. Segundo ela, o homem voltava do trabalho como motorista de trator quando foi levado sob acusação de “associações ilícitas”. Desde então, a mãe percorre delegacias, tribunais e unidades prisionais em busca de informações.
Dois juízes determinaram a libertação de Mata, de acordo com decisões às quais a BBC News Mundo teve acesso. Ainda assim, funcionários informaram a Alvarado que ele continuava preso no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), megaprisão conhecida no país. A mãe afirma encontrar outras mulheres em situação semelhante durante suas visitas.
As familiares começaram a se organizar na região do Baixo Lempa, no sul de El Salvador, e formaram o coletivo Mulheres pela Liberdade. O grupo reúne centenas de mulheres e reivindica informações sobre os detidos, visitas familiares e julgamentos justos e individuais. Entre as ações estão a entrega de documentos a órgãos públicos e concentrações mensais em San Salvador com fotos dos presos.
Liliana Urías integra o coletivo e visita dois centros penitenciários: La Esperanza, também chamado de Mariona, onde está seu filho, e Izalco, onde está preso seu marido. Ela afirma que os dois foram detidos em 2022 e que recebe poucas informações sobre transferências de cela ou de unidade.
Segundo os trechos da reportagem, mais de 91 mil pessoas foram detidas e acusadas de vínculos com grupos criminosos durante o regime de exceção. Organizações de direitos humanos criticam julgamentos coletivos que podem reunir até 900 acusados e afirmam que eles ameaçam o direito de defesa e o devido processo. O governo de Nayib Bukele sustenta que a política reduziu os homicídios; o presidente também disse que as forças de segurança cometeram “poucos erros” e que cerca de 7 mil pessoas já haviam sido libertadas.
As famílias também enfrentam custos para visitar os presos e enviar alimentos e itens de higiene. O pacote mensal citado na reportagem custa cerca de US$ 100. A BBC News Mundo procurou a presidência de El Salvador para comentar as reclamações do grupo, mas não recebeu resposta até a publicação da reportagem.
Fonte: BBC News Brasil
← Voltar ao início de Fato Inteiro
Newsletter em preparação.
Continue acompanhando as notícias pelo portal.

