Juros altos podem levar mais varejistas à reestruturação, dizem especialistas
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Juros altos podem levar mais varejistas à reestruturação, dizem especialistas

Especialistas avaliam que empresas varejistas muito endividadas e dependentes de capital de giro podem enfrentar novos processos de reestruturação. O cenário reúne juros elevados, crédito restrito, inadimplência e pressão sobre o consumo.

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Por Redação Fato Inteiro · 18 de agosto de 2026 às 04:00
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A avaliação ocorre após o pedido de recuperação judicial das Casas Bahia. A companhia informou prejuízo de R$ 10 bilhões no segundo trimestre e anunciou o fechamento de 298 lojas antes de publicar o pedido, na segunda-feira (17). No fato relevante, citou a piora das condições financeiras, a alta dos juros, a restrição ao crédito, o aumento do custo financeiro e a pressão sobre o consumo e o capital de giro.

Para Claudio Damasceno, especialista em reestruturação e sócio da RGF Bizdoc, o cenário macroeconômico indica a possibilidade de novos casos no varejo. Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores, também mencionou os casos de Tok&Stok/Mobly e Marabraz e afirmou que o problema não se limita a uma empresa.

Segundo Tozzi, a combinação de dívida elevada e dependência de capital de giro tende a separar empresas com balanços saudáveis e geração de caixa daquelas que dependem excessivamente de financiamento. Damasceno aponta que negócios baseados em crediário, estoque financiado e dívida cara ficam mais expostos diante dos juros altos e da concorrência digital.

A inadimplência também pressiona o setor. Mais de 9,1 milhões de pessoas estão inadimplentes no país, segundo a Serasa Experian. De acordo com Tozzi, isso reduz a renda disponível, torna o consumidor mais cauteloso e restringe o acesso a novo crédito, afetando especialmente a compra parcelada de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos.

O crédito para as empresas ficou mais seletivo e caro, segundo os especialistas. Damasceno relaciona essa mudança ao caso Americanas, enquanto Tozzi afirma que bancos, fornecedores e investidores passaram a examinar com mais rigor o endividamento, o risco sacado, a antecipação de recebíveis, a geração de caixa e a capacidade de pagamento das varejistas.

Fonte: CNN Brasil

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