

Jammertest usa ilha norueguesa para testar ataques contra sinais de GPS
Engenheiros e autoridades se reúnem em Andøya para simular interferências capazes de alterar localização e horário em aviões, drones e outros sistemas. O objetivo é avaliar por quanto tempo infraestruturas digitais resistiriam sem a sincronização fornecida pelo GNSS.
Na ilha norueguesa de Andøya, a cerca de 300 km ao norte do Círculo Polar Ártico, o evento anual Jammertest reúne engenheiros, físicos e funcionários públicos para testar a resistência de dispositivos a interferências nos sinais de sistemas globais de navegação por satélite (GNSS).
Durante os testes, os participantes emitem sinais capazes de indicar localizações e horários falsos a receptores instalados em aeronaves, carros, drones e máquinas industriais. A iniciativa é organizada pelas autoridades norueguesas e adota uma abordagem aberta, inspirada em competições de hacking ético, com compartilhamento de resultados entre representantes do governo e do setor privado.
O GNSS é usado não apenas para navegação, mas também para sincronizar redes elétricas, telecomunicações, mercados de ações e serviços de transporte. Como os sinais dos satélites são fracos, podem ser anulados por interferências mais potentes ou manipulados para transmitir informações falsas.
Os testes simulam dois tipos principais de ataque: o jamming, que satura o sinal até interromper o serviço, e o spoofing, que sequestra as ondas de rádio para fornecer localização e horário incorretos. Em 2024, demonstrações com um helicóptero de resgate norueguês e um avião de pequeno porte exibiram trajetórias falsas nos receptores das aeronaves.
Segundo a reportagem, um dos riscos avaliados é a interrupção prolongada do GNSS, capaz de esgotar sistemas de backup e afetar a sincronização digital. Outro é um ataque de spoofing gradual e sofisticado, que passe despercebido e impeça a ativação das alternativas de segurança.
Entre as opções para reduzir a dependência dos satélites estão cabos de fibra óptica, relógios atômicos e sistemas como o White Rabbit, desenvolvido no CERN. Dana Goward, da Resilient Timing and Navigation Foundation, afirmou: “Não existe uma solução mágica. Por isso, é necessária uma combinação de sistemas”.
Fonte: BBC News Brasil
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