Israel mantém tropas e demolições no sul do Líbano após cessar-fogo
Reprodução/BBC News Brasil
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Israel mantém tropas e demolições no sul do Líbano após cessar-fogo

Uma equipe da BBC acompanhou uma missão humanitária da Unifil em áreas do sul do Líbano sob controle israelense. Segundo a reportagem, ataques aéreos, demolições e obras militares continuaram após o anúncio de um cessar-fogo, em junho.

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Por Redação Fato Inteiro · 4 de setembro de 2026 às 06:52
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A região próxima à fronteira com Israel, no sul do Líbano, está deserta e devastada, segundo a BBC. Plantações foram abandonadas, e prédios destruídos por ataques aéreos são vistos ao longo da estrada litorânea. Perto de Naqoura, soldados libaneses permanecem atrás de barreiras, enquanto bandeiras israelenses indicam o início da área ocupada.

A equipe da BBC visitou o local no mês passado durante uma missão humanitária da Unifil, autorizada por Israel por meio de um mecanismo de coordenação com a ONU. O comboio escoltava civis de vilarejos cristãos próximos à fronteira, que ficaram isolados do restante do país depois da ocupação das áreas vizinhas.

De acordo com a reportagem, a área controlada por Israel equivale a cerca de 5% do território libanês e chega a 10 km de profundidade em alguns pontos. A equipe observou estradas construídas após a invasão, movimentação de soldados e prédios residenciais ocupados por militares. Também ouviu drones de vigilância e explosões possivelmente ligadas a demolições.

A Unifil afirma que Israel instalou quatro novas bases nas áreas invadidas, elevando o total para nove. A porta-voz da organização, Kandice Ardiel, disse que Israel vem reforçando posições, construindo estruturas de proteção e realizando obras de engenharia. Ela também relatou a presença de pessoas aparentemente civis israelenses em demolições e obras de apoio às operações militares.

Israel afirma que os prédios destruídos eram usados pelo Hezbollah para fins militares e que suas operações respeitam o direito internacional. Organizações de direitos humanos, porém, dizem que algumas ações podem representar destruição deliberada de infraestrutura civil e configurar crime de guerra. Centenas de milhares de libaneses continuam fora de casa, segundo a reportagem.

Um integrante da inteligência libanesa ouvido pela BBC afirmou que o Exército do Líbano registrou mais de 5 mil violações do acordo por Israel desde junho. As ocorrências incluiriam ataques aéreos, ações com drones, bombardeios e incursões de soldados além da área ocupada. As negociações para a retirada israelense e o desarmamento do Hezbollah não avançaram, e não há expectativa de mudanças significativas antes das eleições israelenses, no fim de outubro.

Fonte: BBC News Brasil

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