

Investigação sobre filme de Bolsonaro cita suposto elo de empresário com o PCC
Documentos mencionados em decisões do STF relacionam Alex Leandro Bispo dos Santos às apurações sobre contratos públicos e o financiamento de *Dark Horse*. A defesa nega que ele integre a facção ou qualquer organização criminosa.
As investigações sobre possível direcionamento de recursos públicos para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, alcançaram empresas e pessoas ligadas a contratos com o poder público. Entre os citados está Alex Leandro Bispo dos Santos, apontado pela polícia como controlador da Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., subcontratada pelo Instituto Conhecer Brasil em um projeto de internet gratuita da Prefeitura de São Paulo.
O Instituto Conhecer Brasil é comandado por Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up, responsável pelo longa. Karina foi alvo da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal para apurar suspeitas de desvio de emendas parlamentares e a possibilidade de uso de parte desses recursos no filme. O deputado federal Mario Frias, roteirista e produtor-executivo da obra, também foi alvo.
A menção ao Primeiro Comando da Capital aparece em decisões do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. Segundo os documentos, órgãos de inteligência da polícia apontaram que um dos investigados teria ligação com a facção. O nome indicado foi o de Alex, cuja defesa nega o vínculo.
A suspeita surgiu originalmente em uma investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre o feminicídio da ex-companheira de Alex, ocorrido em novembro de 2025. Um relatório policial citou um áudio no qual ele teria dito “Tenho escorpião do PCC, não devo satisfação”. Alex foi denunciado pelo Ministério Público e tornou-se réu; está foragido desde agosto, após a decretação de nova prisão preventiva.
Alex era sócio da empresa atualmente chamada Urban Connect Serviços e Tecnologia Ltda. Segundo os documentos, a companhia foi subcontratada para executar serviços do projeto WiFi Livre SP, em contrato de R$ 12 milhões, com mais de R$ 2 milhões repassados até dezembro de 2025. A polícia levantou a hipótese de que uma mudança societária posterior pudesse ter buscado ocultar os responsáveis pelo controle da empresa. Em outra frente, a Polícia Federal apura recursos destinados ao filme e conversas sobre seu financiamento envolvendo Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro, que nega irregularidades e afirma que não houve dinheiro público na produção.
Fonte: BBC News Brasil
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