

Imagens de presidente colombiano entre cadáveres geram críticas e debate sobre segurança
Vídeos divulgados por Abelardo de la Espriella, em que ele aparece caminhando perto de corpos de supostos guerrilheiros mortos em operações militares, provocaram controvérsia na Colômbia. Um juiz de Bogotá determinou temporariamente que as publicações fossem ocultadas.
Durante a campanha eleitoral, Abelardo de la Espriella prometeu uma postura firme contra o crime. Segundo analistas citados pela BBC, essa posição contribuiu para sua vitória nas eleições de junho. Já no governo, ele publicou imagens de operações militares que foram recebidas com apoio por parte de seus seguidores e com críticas por opositores e autoridades.
O primeiro vídeo foi divulgado após uma operação em Guaviare, na qual 23 supostos membros dissidentes das Farc e dois menores de idade foram mortos. Dois dias depois, o presidente publicou novas imagens feitas após uma operação em La Guajira, que matou Naín Andrés Pérez Toncel, conhecido como Bendito Menor, sua companheira Angélica Tarazona, conhecida como La Bebecita, e outras duas pessoas.
Para o cientista político Carlos Cortés, a divulgação transmite “uma mensagem de força e intimidação”. A analista Elizabeth Dickinson, do International Crisis Group, afirmou que Espriella busca enfatizar uma “narrativa ofensiva”, apresentando as imagens como demonstração do controle do Estado sobre criminosos.
As publicações foram criticadas pela Defensora do Povo, Iris Marín, que declarou: “O Estado e o Governo não podem competir para ver quem consegue ser o mais cruel”. Na quinta-feira (10/09), um juiz de Bogotá determinou que o presidente ocultasse temporariamente os vídeos, segundo documento obtido pela agência AFP.
O ministro do Interior, Rodrigo Lara Restrepo, contestou a posição da defensora e afirmou que o Estado cumpre o dever constitucional de combater criminosos. A senadora María José Pizarro classificou a divulgação como “necrofilia midiática”, enquanto a ex-prefeita de Bogotá Claudia López disse que “o autoritarismo mafioso não respeita nem a vida nem a morte”.
A controvérsia ocorre em um país marcado por décadas de conflito armado. Dickinson alertou que, em comunidades afetadas pela violência, as imagens podem reforçar uma mensagem centrada no número de mortos. Segundo ela, esse tipo de demonstração já levou, no passado, à morte de civis inocentes e ao aumento da violência estatal, embora tenha ressalvado que não afirmava que isso estivesse ocorrendo naquele momento.
Fonte: BBC News Brasil
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