

IA pode criar nova conexão entre o dólar e a economia global
A expansão da inteligência artificial reacende o debate sobre uma possível nova base de sustentação para o dólar, associada à infraestrutura digital, aos semicondutores, à energia e aos sistemas de pagamento. O chamado “technodollar”, porém, ainda é tratado como hipótese.
A inteligência artificial amplia a demanda por data centers, chips, energia, computação em nuvem, software, plataformas e capital. Essa cadeia leva analistas a discutir se a tecnologia poderia aproximar o dólar da economia mundial de forma comparável ao papel desempenhado pelo ouro e pelo petróleo em períodos anteriores.
O ouro esteve ligado à conversibilidade e à escassez até o fim definitivo da conversibilidade do dólar no metal, em 1971. Depois, o petróleo aproximou a moeda americana do comércio internacional de energia, dos países produtores e dos mercados financeiros dos Estados Unidos.
O Julius Baer usa o termo “technodollar” para descrever uma possível fase em que a influência do dólar estaria mais associada à infraestrutura digital, às plataformas e à capacidade de processamento. No Project Syndicate, Chenxu Fu e Xianguo Huang afirmam que empresas de IA, provedores de nuvem e redes de pagamento podem estar “escrevendo o próximo capítulo da história monetária internacional”.
Os Estados Unidos têm posições relevantes em modelos de inteligência artificial, plataformas e serviços de nuvem, enquanto a Ásia ocupa papel decisivo na fabricação de semicondutores e na infraestrutura tecnológica. A divisão levanta dúvidas sobre se uma eventual vantagem monetária americana viria do controle direto das tecnologias ou da capacidade de reunir, sob sua influência financeira, uma cadeia produtiva global.
As stablecoins em dólar são apontadas como outra possível conexão entre a tecnologia e a moeda. Esses instrumentos mantêm reservas em ativos americanos, especialmente títulos do Tesouro, aproximando pagamentos digitais e mercados financeiros dos Estados Unidos. O impacto dessa relação dependeria, entre outros fatores, da regulação, da segurança dos sistemas e da confiança de usuários e empresas.
A comparação com o petrodólar exige cautela, segundo os trechos analisados. Diferentemente do petróleo, a inteligência artificial depende de uma rede tecnológica distribuída entre países, não conta com um acordo monetário que a estabeleça como referência formal e não apresenta relação direta comprovada entre seu uso e a valorização do dólar. Por enquanto, o “technodollar” permanece como hipótese sobre os vínculos entre tecnologia e moeda.
Fonte: Valor Econômico
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