

Hidrocefalia pode ser confundida com demência e tem tratamento reversível
A hidrocefalia de pressão normal (HPN) pode apresentar sintomas semelhantes aos de outras formas de perda cognitiva, mas pode ser revertida quando identificada e tratada a tempo. A condição é mais comum em pessoas acima de 60 anos.
A hidrocefalia de pressão normal ocorre quando há acúmulo anormal de líquor em regiões do cérebro. O líquido passa a comprimir os neurônios, e os sintomas costumam surgir lentamente. Segundo a fonte, a condição atinge, em média, uma a cada 100 pessoas com mais de 60 anos.
Entre os sinais estão mudanças na marcha, que pode ficar mais rígida ou “robótica”, incontinência urinária ou urgência para urinar e lentidão no raciocínio. O neurologista Iron Dangoni Filho, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia, ressalta que nem todos os pacientes apresentam os sintomas ao mesmo tempo.
O diagnóstico considera os sinais clínicos e é confirmado por ressonância magnética, que pode mostrar alterações nos ventrículos cerebrais. Quando a HPN é identificada a tempo, uma cirurgia pode instalar uma válvula para desviar o excesso de líquido para a barriga, onde ele é reabsorvido pelo corpo.
A cirurgia é complexa e não produz o mesmo benefício para todos. De acordo com as diretrizes internacionais citadas pelo neurologista, entre seis e oito de cada dez pessoas com a doença teriam reversão dos sintomas após o procedimento. A demora no tratamento pode comprometer as estruturas neurais e reduzir a possibilidade de recuperação completa.
Um exame chamado Tap test pode ajudar a avaliar se o paciente tende a se beneficiar da cirurgia. O procedimento retira temporariamente o líquor por punção lombar, e os médicos observam possíveis melhoras na marcha e no controle urinário, com os resultados repetidos em até 48 horas após a primeira punção para avaliar os benefícios de realizar o procedimento definitivo. O exame está disponível em centros especializados da rede privada, mas não integra o rol obrigatório dos planos de saúde nem a lista do SUS.
No início de outubro, o cantor norte-americano Billy Joel, de 77 anos, revelou ter passado por cirurgia para tratar uma forma reversível de demência associada à HPN. Segundo relato atribuído ao artista, ele percebeu melhora na memória e no equilíbrio pouco tempo depois do procedimento.
Fonte: Poder360
← Voltar ao início de Fato Inteiro
Newsletter em preparação.
Continue acompanhando as notícias pelo portal.

