

Governo vê risco de ingerência estrangeira em acordo do Escudo das Américas
O governo Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o acordo do Escudo das Américas pode abrir espaço para ingerência estrangeira em áreas estratégicas e operações unilaterais na região. A iniciativa prevê classificar facções como ameaças compartilhadas e aplicar sanções contra os grupos.
O acordo foi assinado na terça-feira (22) pelos Estados Unidos e outros 14 países latino-americanos. O texto inclui o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho entre as organizações que seriam tratadas como ameaças compartilhadas.
Diplomatas do governo consideram a declaração “muito grave”. Interlocutores do presidente avaliam que a medida poderia facilitar a atuação estrangeira em setores como infraestrutura e minerais críticos, além de permitir operações unilaterais na região.
Entre as sanções previstas estão o congelamento de bens e restrições de imigração e vistos para integrantes das facções e pessoas associadas a elas. Os países também pretendem pedir à OEA uma reunião para discutir a criação de um Órgão de Consulta e possíveis ações coletivas contra organizações narcoterroristas.
A estratégia do governo é acompanhar a tramitação na OEA, onde o Brasil tem direito a voto no pedido de reunião. Enquanto isso, a equipe de Lula deve priorizar agendas bilaterais e destacar medidas de combate ao crime organizado transnacional, incluindo cooperação com países vizinhos e os Estados Unidos.
Auxiliares do presidente afirmam que o Brasil esperava uma movimentação do Escudo das Américas. Na Assembleia-Geral da ONU, Lula disse: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém” e afirmou que a América Latina sofre tentativas de influência dos Estados Unidos. Também declarou: “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas.”
Fonte: CNN Brasil
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