

Governo Lula vê ampliação de influência dos EUA em ação contra facções
Um auxiliar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o combate ao crime organizado pode ser usado pelos Estados Unidos para avançar interesses mais amplos na América Latina. O governo brasileiro analisa os efeitos do comunicado do grupo Escudo das Américas, que inclui medidas contra PCC e Comando Vermelho.
Um auxiliar de Lula ouvido reservadamente pela BBC News Brasil classificou como um “cavalo de Troia” a ação coordenada pelos Estados Unidos e outros países da região contra organizações criminosas. Segundo ele, o combate ao narcotráfico poderia abrir espaço para a ampliação da influência norte-americana no continente.
O grupo Escudo das Américas anunciou medidas conjuntas contra 24 facções, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). As propostas incluem congelamento de ativos, controle migratório de pessoas supostamente ligadas às organizações e responsabilização de quem oferecer apoio financeiro ou logístico.
O comunicado também menciona cooperação econômica, infraestrutura digital e proteção das cadeias de suprimento de minerais críticos. Para o auxiliar presidencial, a inclusão desses temas indica que a iniciativa não se limita ao combate ao crime organizado e pode facilitar o tratamento de outros assuntos sob a lógica de segurança nacional.
O documento prevê ainda uma consulta à Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a possível reativação do Tratado Interamericano de Assistência Mútua, conhecido como Tratado do Rio. O Brasil integra a OEA, mas não faz parte do Escudo das Américas.
O governo brasileiro ainda avalia as implicações práticas do comunicado e não decidiu se votará contra as propostas. Também deverá consultar parceiros regionais para verificar o grau de adesão às medidas anunciadas.
A administração Lula tem criticado ações dos Estados Unidos apresentadas como parte do combate ao crime organizado na América Latina e também se opôs à classificação de PCC e CV como organizações terroristas. A oposição, liderada pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, afirma que o governo é conivente com o crime organizado e defende a entrada do Brasil no grupo.
Fonte: BBC News Brasil
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