Golpes de falsas noivas exploram desequilíbrio entre homens e mulheres na China
Reprodução/BBC News Brasil
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Golpes de falsas noivas exploram desequilíbrio entre homens e mulheres na China

Homens que buscam casamentos rápidos na China relatam perdas de centenas de milhares de yuans após descobrirem que as pretendentes ocultavam informações sobre seu passado. O fenômeno ocorre em meio a um excedente de cerca de 30 milhões de homens no país.

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Por Redação Fato Inteiro · 22 de agosto de 2026 às 17:38
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Wang Zhuang, de 37 anos, procurou uma agência matrimonial em Guiyang, na província de Guizhou, depois de perder a esperança de encontrar uma esposa. A empresa prometia apresentar mulheres recatadas e dedicadas, além de oferecer garantias contra fraudes. Após conhecer algumas pretendentes, ele se casou com uma delas em poucos dias.

Meses depois, Wang descobriu que a mulher havia sido casada três vezes, tinha três filhos, dívidas e uma infecção sexualmente transmissível grave. Ele afirma ter pago mais de 300 mil yuans à agência e acumulado entre 400 mil e 500 mil yuans em despesas com o casamento. Ao retornar ao escritório, encontrou o local fechado.

A BBC relaciona o problema ao desequilíbrio demográfico chinês. A política do filho único, mantida por décadas e encerrada em janeiro de 2016, combinada à preferência por meninos, contribuiu para a redução proporcional do número de mulheres. Atualmente, o país tem cerca de 30 milhões de homens a mais do que mulheres.

Agências de “casamentos relâmpago” passaram a oferecer uma solução rápida a homens de cidades menores e áreas rurais. Entre janeiro de 2024 e março de 2025, promotores analisaram casos envolvendo 1.546 pessoas por crimes relacionados a agências matrimoniais. Em um caso citado pela reportagem, uma agência teria usado garçonetes de karaokê para lesar 128 vítimas em mais de 2,5 milhões de yuans.

Outro homem, Xu Rulin, de 59 anos, diz ter gasto quase 500 mil yuans para encontrar uma esposa para o filho. A mulher teria fugido duas semanas após o casamento, depois de pedir um celular, dinheiro para negócios, um vestido, joias e uma casa. Xu afirma que os donos da agência foram presos em janeiro, mas continua tentando recuperar parte do dinheiro.

As empresas negam responsabilidade e dizem que as informações são obtidas por casamenteiros locais. Um gerente afirmou que não havia verificação formal de antecedentes, embora os clientes tivessem direito a reembolso caso os dados fornecidos fossem falsos. Segundo o advogado Fan Binghe, esses casos são difíceis de processar porque a legislação chinesa não prevê um crime específico para esse tipo de fraude e exige provar que o objetivo do cônjuge era obter dinheiro.

Fonte: BBC News Brasil

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