

Gatos estão mais mansos ou os humanos mudaram a relação com eles?
A convivência com pessoas pode continuar moldando o comportamento dos gatos, mas a transformação mais evidente pode estar na forma como seus donos os enxergam. Pesquisas e exemplos de animais urbanos ajudam a explicar essa mudança.
A domesticação dos gatos pode não ser um processo encerrado. Estudos com animais selvagens indicam que a convivência prolongada com humanos favorece mudanças de comportamento e, possivelmente, de características físicas em algumas populações.
Uma pesquisa de 2020 comparou raposas-vermelhas de Londres e da zona rural próxima. As raposas urbanas tinham focinhos mais curtos e largos e caixas cranianas menores — características associadas com frequência à domesticação. Em Dublin, um estudo de 2022 identificou veados que se aproximavam regularmente de pessoas em busca de comida; essas fêmeas tinham filhotes mais pesados.
No caso dos gatos, a flexibilidade comportamental pode ajudar a explicar sua adaptação. Quando há pouco alimento, eles tendem a viver sozinhos e defender territórios. Em ambientes com comida abundante, conseguem tolerar outros gatos e formar grupos sociais estáveis. Além disso, filhotes que têm interações positivas frequentes com humanos entre cerca de duas e sete semanas de idade tendem a se tornar adultos mais confiantes e amigáveis.
A relação das pessoas com os animais também mudou. Uma pesquisa realizada na Finlândia em 2023, com 857 donos, mostrou que pessoas sem filhos eram mais propensas a chamar seus animais de “filhos”, “crianças” ou “membros da família” e a se referir a si mesmas como “mãe” ou “pai” dos bichos.
Essa transformação alterou a vida dos gatos, que passaram de animais associados principalmente ao controle de pragas a companheiros que podem ter plano de saúde, acompanhamento comportamental e alimentação especializada. Os gatos ainda podem mudar ao longo das gerações, mas as evidências reunidas no texto indicam que a mudança mais marcante ocorreu na relação dos humanos com eles.
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